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Início da construção do parque tecnológico da
ilha Terceira previsto para este ano
O CDS-PP/Açores entende que
a economia regional está “es-
trangulada” pelos transportes
e insiste na necessidade de o
Governo açoriano adquirir um
avião mini-cargueiro para trans-
portar mercadorias entre as ilhas.
A opinião foi manifestada hoje,
numa declaração política no par-
lamento dos Açores, reunido na
cidade da Horta, pela deputada
Ana Espínola, que referiu que
os aviões da SATA Air Açores
não têm capacidade de resposta
suficiente em matéria de carga.
“Continuamos a ouvir os produ-
tores e os empresários a queixa­
rem-se, com muita frequência,
da falta de capacidade de carga
da SATA ou a assistir a limitações
de operação em diferentes portos
da região”, afirmou a deputa-
da do CDS, acrescentando que
a solução mais “racional, efi-
ciente e barata” seria a aquisição
de um avião mini-cargueiro.
Os centristas dizem já ter fei-
to as contas ao investimento e
que a compra de um avião novo
deverá custar aos cofres da
região “cerca de um milhão de
dólares”. Mas se a opção for um
avião usado, isso representará
um custo de “200 mil dólares”.
“O preço por quilo de carga
transportada varia entre 30 a 40
cêntimos e, se devidamente ar-
ticulados os horários dos trans-
portes aéreos, consegue-se escoar
para o exterior os produtos da
pesca, da agricultura, da floricul-
tura, do artesanato ou outro tipo
de carga, no mesmo dia”, insistiu.
Ana Espínola recordou que, em
2011, a maioria socialista aceitou
realizar um estudo de viabilidade
financeira da aquisição do avião
mini-cargueiro e lamentou que
passados quatro anos “ninguém”
conheça o resultado desse estudo.
“A economia açoriana está es-
trangulada pelos transportes,
particularmente as ilhas mais
pequenas, que necessitam de
uma rede de transportes ar-
ticulada, promotora de recei-
ta e indutora de mais-valias”,
afirmou a deputada do CDS.
No debate que se seguiu, a maio-
ria PS no parlamento açoriano
defendeu que o investimento no
avião cargueiro não se justifica
nos Açores porque a companhia
aérea regional (a SATA) conti­
nua a dar resposta ao transporte
de
mercadorias
inter-ilhas.
“Ao longo dos últimos anos te-
mos melhorado a capacidade
de distribuição interna dos nos-
sos produtos, entre as nossas
ilhas e temos tido a capacidade
de criar um mercado interno
que funcione bem”, destacou
o deputado Francisco César.
No seu entender, o problema
não reside no transporte de car-
ga inter-ilhas, mas sim entre os
Açores e o continente, mas lem-
brou que haverá mudanças a este
nível a partir do próximo mês
“Neste momento está defini-
do um conjunto de obrigações
de serviço público de carga
que permitirá que essa carga
possa ser feita a partir de 1 de
junho em avião cargueiro ou
através de uma subcontratação”,
destacou
Francisco
César.
As obras de construção do Parque
de Ciência e Tecnologia da Ilha
Terceira devem ter início ainda
este, ficando concluídas no prazo
de um ano e meio, informou hoje o
secretário Regional do Mar, Ciên-
cia e Tecnologia.
“O nosso objetivo era iniciar a obra
este ano ainda e, uma vez iniciada,
está previsto um prazo de 18 me-
ses para o projeto estar concluído
e ope­racional”, salientou Fausto
Brito e Abreu, na apresentação do
projeto de arquitetura do parque,
em Angra do Heroísmo.
O executivo açoriano está a prepa-
rar o projeto de especialidades e
o caderno de encargos e estima
lançar o concurso para a obra “este
semestre”, mas dada a dimensão
do parque, o processo do concur-
so público deverá demorar vários
meses.
A construção do Parque de Ciência
e Tecnologia da Ilha Terceira está
prevista há vários anos, tendo o en-
tão secretário Regional da Ciência,
Tecnologia e Equipamentos garan-
tido, em 2009, que a obra estaria
concluída até ao final daquela le­
gislatura (2012).
Álamo Meneses, presidente da
Câmara Municipal de Angra do
Heroísmo, congratulou-se com o
facto de o projeto “finalmente” ter
conseguido “descolar”, destacando
a “vontade de entendimento” do
Governo Regional no último ano
e meio.
“Chegámos àquele ponto em que,
finalmente, estamos a cumprir os
calendários”, disse o autarca, sa-
lientando que o projeto vai “abrir
outros horizontes do ponto de vista
da iniciativa económica”.
O parque será instalado num anti-
go hospital militar na freguesia da
Terra Chã, emAngra do Heroísmo,
cujas instalações, agora pratica-
mente abandonadas, acolheram a
Universidade dos Açores.
O projeto de arquitetura vai reabi­
litar o traçado original do hospital
militar e demolir os edifícios que já
se encontram em estado de degra-
dação avançado.
Numa área construída de cerca de
4.200 metros quadrados, haverá 15
zonas para incubação de empresas
e seis espaços para a instalação de
empresas já criadas, mas também
laboratórios nas áreas de produtos
agroalimentares, produtos lácteos
e indústrias criativas. O projeto
vai ainda remodelar as atuais in-
fraestruturas do Centro de Biotec-
nologia dos Açores.
Segundo o secretário Regional do
Mar, Ciência e Tecnologia, o par-
que tecnológico vai permitir o con-
tacto entre as empresas e os cien-
tistas da Universidade dos Açores.
“Este parque dá corpo ao desen-
volvimento de um dos eixos pri-
Economia dos Açores está “estrangulada” pelos transportes
oritários da estratégia da região
para a chamada especialização in-
teligente que é o da agroindústria,
agricultura e pecuária”, salientou
Fausto Brito e Abreu.
O projeto, que está também in-
cluído no Plano de Revitalização
Económica da Ilha Terceira, tem
um investimento total de sete mi­
lhões de euros, sendo cinco mi­
lhões para a construção civil e dois
milhões para os equipamentos.
Nos próximos meses, a autarquia
de Angra do Heroísmo, que in-
tegra a associação que vai gerar o
parque, vai criar uma start up no
centro da cidade, com espaço para
a incubação de seis empresas, que
poderão depois migrar para a nova
infraestrutura.
Em parceria com a Câmara de
Comércio de Angra do Heroísmo
(CCAH), a start up fornecerá apoio
nas áreas empresarial e jurídica.
Fonte: Lusa
29 DE MAIO DE 2015 | JORNAL REGIÃO ECONÓMICA AÇORES
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