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29 DE MAIO DE 2015 | JORNAL REGIÃO ECONÓMICA AÇORES
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OPINIÃO
Não ligo muito ao futebol,
sou vagamente do Sporting
e quando ele ganha óptimo,
mas se não ganhar tudo bem
na mesma .
E por isso mesmo a con­
sagração do Benfica como
Campeão (parece que no ano
passado também já o tinha
sido) foi apenas mais uma
noticia ...
A ultima vez que reparei em
noticias relacionadas com
o Benfica foi no verão pas­
sado, estávamos no “auge”
da crise do BES quando foi
exigido ao Benfica o paga­
mento imediato de grande
parte da sua divida e vai dai
foram vendidos cerca de uma
dezena dos seus mais valiosos
jogadores ...” é o descalabro,
não há hipótese alguma de
revalidar o titulo da época an­
terior, a equipa é constituída
por suplentes” ...era o que se
ouvia nos programas de tele­
visão da “ especialidade”.
Não sei se foi por mérito do
Benfica ou por demérito dos
seus adversários, este campe­
onato numero “34”, mas
objectivamente o Benfica já
não era campeão duas vezes
seguidas há cerca de trinta
anos ...qual terá sido a razão
de tão inesperado sucesso ?
Não sei a resposta mas...ven­
deram os jogadores é certo,
mas o treinador continuou o
mesmo e esse já por lá anda
há alguns anos ...
Afinal isto de futebol não
são só milhões e vedetas ...o
espírito de equipa e sua li­
derança também conta e ás
vezes os investimentos de
milhões não são sinonimo
de sucesso .
É claro que há sempre quem
ganhe com os “ investimen­
tos” de milhões , os Bancos,
os empresários dos jogadores
, os dirigentes desportivos ...
É assim no futebol e no resto,
quando oiço falar o actual
“candidato a Primeiro Min­
istro” indicado pelo Partido
Socialista, a propor o mesmo
que o ultimo Primeiro Mi­
nistro do partido Socialista
propunha (mais conhecido
como o Nº 44) , falando em
investimentos de milhões
para relançar a economia e
o crescimento , prometen­
do que não voltam a levar o
país à falência e de que desta
vez é que é ...faz-me lembrar
o tempo em que o Benfica
gastava milhões e passava
anos e anos sem erguer a taça
...mas que esses milhões iam
para o bolso de alguém, isso
ninguém tem duvidas!!!.
Quando oiço o Vice Presi­
dente da bancada parlamen­
Benfica
Gonçalo Almiro Matos Costa
tar do Partido Socialista dos
Açores a justificar milhões e
milhões de euros de divida
de empresas publicas regio­
nais, como estratégia para
combater o desemprego da
Região ou a justificar o des­
calabro financeiro da SATA
com a desculpa esfarrapada
de que se não fosse assim
os turistas não vinham aos
Açores ...interrogo-me quan­
tos desses milhões ficaram
por ai, nos bolsos de alguém.
No futebol quando as coisas
correm mal a culpa é do ar­
bitro, do sistema e da comu­
nicação social, também por
cá a culpa é do Governo da
República, da Europa, da fal­
ta de chuva ou de outra coisa
qualquer .
Enfim tal como no futebol
, na politica e na vida não é
o dinheiro mas sim a com­
petência o factor determi­
nante do sucesso . E quando,
apesar de se ter herdado um
país à beira da bancarrota,
se tem o mesmo “ treinador “
durante quatro anos com re­
sultados positivos .....humn....
“em equipa que ganha não se
mexe”.
PÚB.
Nos dias de hoje é raro encon­
trar um político visionário.
Na generalidade vão todos a
reboque do tempo, nunca à
frente dele.
Aos anos que se falava na li­
beralização aérea, mas muitos
políticos esconjuravam quem
defendia tal proposta e até
previam o caos...
Hoje é vê-los como os maiores
defensores da abertura dos
céus a outras companhias nos
Açores, até já viajam nelas e
os mais descarados até dizem
que foi por proposta deles.
Aos poucos vão encarando a
realidade, quando ela bate de
frente.
O discurso de Vasco Cordeiro
no Dia da Região é um pouco
isso e ainda bem que o Presi­
dente do Governo Regional lê
a realidade com olhos de um
político mais aberto do que
alguns dos seus seguidores.
Ao tempo que falamos da in­
utilidade da figura do Repre­
sentante da República – essa
“excrescência constitucional”,
como dizia o saudoso Jorge
Nascimento Cabral -, desde
que ele ainda era Ministro da
República, mas o PS foi sem­
pre dos principais opositores
à sua extinção.
Ao tempo que se fala de uma
maior abertura do nosso sis­
tema eleitoral, varrendo o
seu conceito de oligarquia
partidária e dando possibili­
dade a cidadãos sem filiação
de participarem no processo
eleitoral.
Ao tempo que se diz que os
Conselhos de Ilha são apenas
“verbos de encher”, tal como
funcionam hoje, sem ne­
nhum poder, a não ser o de
elaborar listas infindáveis, to­
dos os anos, com as mesmas
reivindicações.
Ainda no passado domingo,
dia antes da cerimónia re­
gional nas Flores, a propósito
do desinteresse dos jovens e
dos cidadãos pela política,
escrevíamos um editorial
no “Diário dos Açores” com
a seguinte conclusão: “Mais
de 40 anos depois da imple­
mentação da democracia e
da nossa Autonomia, é tempo
das forças políticas reflec­
tirem sobre este desinteresse
dos cidadãos pela política e
alterarem profundamente o
sistema eleitoral e algumas
das regras, implementadas
noutros tempos que nada têm
a ver com os de hoje.
A representação política re­
gional é excessiva no nosso
parlamento e é preciso facili­
tar a integração de candidatos
independentes dos partidos.
É uma forma de dar opor­
tunidade à cidadania e à par­
ticipação de mais jovens nos
meandros da política.
Se continuarmos como até
aqui, a população vai man­
ter-se de costas viradas para a
política, preferindo o que vai
acontecer, inexoravelmente,
amanhã: ignorar a política e
estar com o Espírito Santo...”.
No dia seguinte, no discurso
das Flores, Vasco Cordeiro
assumia que, “como Açori­
anos, temos a responsabili­
dade histórica de reformar, de
transformar e de contribuir
para dar um novo impulso à
nossa vivência democrática”,
propondo então listas inde­
pendentes, extinção do cargo
do Representante da Repúbli­
ca e reformulação dos Con­
selhos de Ilha.
Esta sintonia só tem a ver
com a naturalidade e o óbvio
da caminhada política até es­
tes dias, que são diferentes de
há 40 anos.
Para estes três assuntos quase
com barbas, quis Vasco
Cordeiro transformá-los em
propostas de reforma políti­
ca no Dia dos Açores, o que
é de louvar e oxalá que o seu
partido e os seus camaradas,
sobretudo os mais confor­
mados, não deixem cair no
esquecimento.
A oposição tem razão quando
diz que não há nestas propos­
tas do Presidente do Governo
nenhuma novidade, mas é
bom que se comece a gerar
aqui algum consenso entre
todos e o que a oposição de­
via agora fazer era aproveitar
o entusiasmo do maior parti­
do dos Açores - antes que ele
esmoreça - para começar já a
arregaçar mangas e construir
as pontes necessárias para as
respectivas alterações ao sis­
tema.
A próxima legislatura será
Finalmente, será desta?!
Osvaldo Cabral
constitucional, o que quer
dizer que haverá revisão con­
stitucional, pelo que temos
aqui mais uma boa oportuni­
dade para fazer história.
Para isso, as estruturas par­
tidárias
açorianas
terão
que começar já a definir os
seus projectos no que toca à
reforma do nosso sistema e
convencer os seus directórios
nacionais para a bondade das
propostas.
Não será fácil, sabendo-se das
permanentes desconfianças e
preconceitos que se vivem nas
sedes nacionais dos partidos
relativamente às Autonomias.
Mas há uma série de factores
que se conjugam para que os
tempos sejam outros e, final­
mente, se adapte estes tempos
à realidade dos nossos dias.
Já não era sem tempo.
Gostaria de deixar aos leitores
para reflexão que modelo de
banca iremos ter neste século.
- Banco Nomura
4-5-2009- BES é o banco
preferido do Nomura em
Portugal
12-5-2015- Banco japonês
Nomura e o Royal Bank of
Scotland declarados culpa­
dos por vender ativos tóxi­
cos provocando colapso das
norte-americanas
Fannie
Mae e Freddie Mac
Nomura continua a recomen­
dar a compra de obrigações
portuguesas em Jornal de
Negócios
Nomura
participou
em
SWAP da CP
Em poucos anos a partici­
pação concertada do Banco
Nomura com os interesses
do BES
falam por si em todos os ca­
sos que causam polémica em
Portugal e na PT.
Nos EUA a justiça tem fun­
cionado junto de multina­
cionais, Merrill Lynch até a
falência de bancos.
Os bancos abrem falência
como as empresas tendo os
reguladores que cumprir a
sua missão e acautelando os
interesses dos clientes previs­
tos na lei.
Faço um reparo as empresas
auditoras que certificam as
contas e aos auditores inter­
nos, pois tem atuado tal como
o Banco de Portugal como
reactivos e tardiamente
e, não de forma preventiva e
antecipando a burla das con­
tas e erros grosseiros que
tem vindo a publico.
Em qualquer multinacional
estariam todos demitidos e
com processos judiciais, pela
violação das regras deon­
tológicas e pela falta de ética.
-Triodos Bank
Considerado o maior banco
ético no Norte da Europa.
Os bancos éticos suposta­
mente preocupam-se com
ética, transparência, soli­
dariedade
e que só investem em com­
panhias que preencham estes
requisitos.
Ao verificarmos nas contas
publicadas ficamos com séri­
as duvidas porque aparecem
companhias que exploram
pessoas, anti-ecológicas e em
armamento.
-Banca Islâmica a Banca Ha­
lal
Sistema coerente com os
princípios da Sharia (lei is­
lâmica).
A Sharia proíbe os juros
(Riba) e a usura, tal como o
investimento em empresas
que
fornecem serviços e bens
contrários aos seus princípios
(Haraam).
Bancos éticos
António de Portugal
Em 1990 surgiram os fundos
de capital islâmico e muitos
bancos ocidentais criaram
divisões com princípios da
Banca Halal.
A ênfase dos investimentos
sobre os produtos e não privi­
legiam os investidores.
Participam na atividade di­
vidindo os lucros ou as per­
das.
- Banco Jak Medlems­
bank-Suécia
Modelo cooperativo fami­
liar com sede em Skovde na
Suécia.
Por um sistema monetário
sem juros aconselho a verem
o Banco Jak Portugal inspi­
rado
num modelo bem sucedido
que nasceu em 1931 na Di­
namarca. Financiam os seus
membros sem juros e não
actuam sobre o mercado de
capitais.
Falar da evolução humana, de
Yunus e das empresas sociais
seria bom fomentar alguns
princípios destes sistemas
combinando o investimento
nas pessoas e, a partilha da
rentabilidade e dos prejuízos.
O fomento da atividade hu­
mana ecológica e positiva
rende mais que os juros e a
inatividade do capital num
banco.
Evita crises e distribui ri­
queza .