VIVER

Viver, não é esperar que passe a tempestade! Viver, é aprender a dançar à chuva!

 

BARGAINS

Mera sugestão para ponderação do Governo Regional dos Açores!

Na Austrália não existe legislação que impeça um comerciante de realizar os saldos quando entende que esta ou aquela altura do ano, ou do mês, são as mais convenientes para o seu negócio.

De facto, porque haveria o estado de, muito afanosamente, regulamentar tudo, ao ponto de sancionar quem salde os artigos fora da época determinada? Talvez tenha até sido, na sua génese, uma exigência dos próprios comerciantes, receosos de que os mais poderosos e imaginativos capitalizassem os benefícios, mas a medida não me parece por aí além vantajosa para quem quer que seja.

Aqui na Austrália, na terra dos cangurus e dos koalas, o comerciante salda o que quiser e quando quiser e se isso se revelar conveniente, num regime de total liberdade, deixando à livre iniciativa tal prorrogativa.

Para além dos saldos e respectivas campanhas, sempre muito concorridas, existe uma outra “figura” comercial – os Bargains – (que se poderá traduzir por pechincha), que pode ou não, coexistir com os saldos e que normalmente têm um espaço especial em todos os grandes armazéns e lojas, independentemente da sua origem, género, localização, etc.

Aí conseguem-se coisas a um preço absolutamente imbatível e nos têxteis e no calçado então, é possível obterem-se artigos a preços indizíveis, tão barato que algumas pessoas acabam por, de tal forma seduzidas pela oportunidade, comprar o que precisam e o que não precisam...

Neste início de ano, o regime australiano decidiu legislar algo em referência aos bargains que me parece verdadeiramente paradigmático da forma como esta gente pensa e age: em todos os locais onde se vendam bargains deverá existir uma placa (formativa) e informativa a recordar que a proveniência da maioria (senão a totalidade) desses bargains corresponde a países onde se não respeitam as mínimas condições de trabalho, onde se explora o trabalho infantil e onde o trabalho escravo é regra habitual, onde a mulher não tem privilégios e onde existe uma política de dumping.

Ora aí está uma medida que aplaudo e recomendo, pois sem impôr ou reprimir, o estado meramente recorda junto ao ponto de venda que ao estímulo do preço super baixo se pode associar e ocultar uma situação de exploração ou escravatura que se eternizará se o cliente se mantiver desinformado.     

É um ponto de vista diferente. Talvez um dia em Portugal (quem sabe se a começar pelo arquipélago açoriano?), alguém se lembre de fazer o mesmo!

 

Luis Arriaga – Jornalista e Politólogo residente em Sydney – Austrália / Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Sydney, aos 24 de Abril

 

Os Judeus são todos muito maus e comem muçulmanos ao pequeno almoço!

Alah Uak-bar

  

No Irão, o líder supremo, Ayathola Ruhollah Khomeini, pediu ao mundo muçulmano para boicotar tudo e qualquer coisa que tenha origem judaica! 

Em resposta, Meyer M. Treinkman, um farmacêutico de Telavive, ofereceu-se para ajudá-los na efectivação desse boicote iraniano, escrevendo num blog e exibindo na sua Farmácia em Israel: 

"Qualquer muçulmano que tenha sífilis não deve ser curado pelo teste de Wasserman, que foi descoberto por um judeu, o Dr. Ehrlich. 

Muçulmanos que tenham gonorréia, não deverão procurar o diagnóstico, porque vão usar o método de um judeu chamado Neissner.

Um muçulmano que tenha uma doença cardíaca não deve usar Digitalis, medicamento descoberto por um judeu, Ludwig Traube.

Se sofrer com uma dor de dentes, não deve usar Novocaína, uma descoberta dos judeus, Widal e Weil.

Se um muçulmano tiver diabetes, não deve usar insulina, resultado da pesquisa feita por Minkowsky, outro judeu.

Se algum muçulmano tiver uma dor de cabeça, deve evitar Pyramidon e Antypyrin, devido ao facto de tais substâncias terem sido descobertas pelos perigosíssimos judeus Spiro e Ellege.

Muçulmanos com convulsões devem ficar assim, porque era um judeu Oscar Leibreich, quem propôs o uso de hidrato de cloral.

Árabes devem fazer o mesmo com os seus males psíquicos, porque Freud, pai da psicanálise, era judeu.

Se uma criança muçulmana ficar com difteria, ela deve abster-se de usar o "Schick", que foi inventado pelo judeu Bella Schick.

Os muçulmanos devem estar prontos para morrer em grande número e não devem permitir o tratamento da orelha e danos cerebrais, trabalho do judeu laureado com o Prêmio Nobel, Robert Baram.

Os muçulmanos (sobretudo os iranianos) deverão continuar a morrer ou a ficar aleijados com Paralisia Infantil, porque o descobridor da vacina anti-pólio era judeu, Jonas Salk.

Os muçulmanos devem recusar-se a usar estreptomicina e continuar a morrer de tuberculose, porque um judeu, Zalman Waxman, inventou a droga milagrosa contra esta doença mortal.

Médicos muçulmanos devem descartar todas as descobertas e melhorias introduzidas  pelo dermatologista Judas Sehn Bento, ou o especialista em pulmão, Frawnkel, e de muitos outros especialistas de renome mundial, cientistas judeus, investigadores e médicos.

Os muçulmanos apropriadamente deverão permanecer aflitos com sífilis, gonorréia, doenças de coração, dores de cabeça, tifo, diabetes, transtornos mentais, convulsões poliomielite e tuberculose e terem orgulho em obedecer ao boicote islâmico.

Ah, e por falar nisso, não chame um médico pelo Telemóvel porque o telefone celular foi inventado em Israel por um engenheiro judeu.

Enquanto isso, eu pergunto: que contribuições médicas para o mundo fizeram os muçulmanos? “

 

A população Islâmica é de aproximadamente 1.200.000.000 – um  bilião e duzentos milhões de almas, ou seja, 20% da população do mundo. 

Eles receberam os seguintes Prémios Nobel

 

Literatura 

1988 - Najib Mahfooz 

Paz 

1978 - Mohamed Anwar El-Sadat 

1990 - Elias James Corey 

1994 - Yasser Arafat 

1999 - Ahmed Zewai  

Economia 

(Zero) 

Física 

(Zero) 

Medicina 

1960 - Peter Brian Medawar 

1998 - Mourad Ferid 

TOTAL: 7 -  SETE

  

A população global judia é de aproximadamente 14 milhões, cerca de 0,02% da população do mundo. 

Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

 

Literatura 

1910 - Paul Heyse 

1927 - Henri Bergson 

1958 - Boris Pasternak 

1966 - Shmuel Yosef Agnon 

1966 - Nelly Sachs 

1976 - Saul Bellow 

1978 - Isaac Bashevis Singer 

1981 - Elias Canetti 

1987 - Joseph Brodsky 

1991 - Nadine Gordimer Mundial   

Paz 

1911 - Alfred Fried 

1911 - Tobias Michael Carel Asser 

1968 - René Cassin 

1973 - Henry Kissinger 

1978 - Menachem Begin 

1986 - Elie Wiesel 

1994 - Shimon Peres 

1994 - Yitzhak Rabin 

Física 

1905 - Adolf Von Baeyer 

1906 - Henri Moissan 

1907 - Albert Abraham Michelson 

1908 - Gabriel Lippmann 

1910 - Otto Wallach 

1915 - Richard Willstaetter 

1918 - Fritz Haber 

1921 - Albert Einstein 

1922 - Niels Bohr 

1925 - James Franck 

1925 - Gustav Hertz 

1943 - Gustav Stern 

1943 - George Charles de Hevesy 

1944 - Isidor Isaac Rabi 

1952 - Felix Bloch 

1954 - Max Born 

1958 - Igor Tamm1959 - Emilio Segre 

1960 - Donald A. Glaser 

1961 - Robert Hofstadter 

1961 - Melvin Calvin 

1962 - Lev Davidovich Landau 

1962 - Max Ferdinand Perutz 

1965 - Richard Phillips Feynman 

1965 - Julian Schwinger 

1969 - Murray Gell-Mann 

1971 - Dennis Gabor 

1972 - William Howard Stein 

1973 - Brian David Josephson 

1975 - Benjamin Mottleson 

1976 - Burton Richter 

1977 - Ilya Prigogine 

1978 - Arno Penzias Allan 

1978 - Peter L Kapitza 

1979 - Stephen Weinberg 

1979 - Sheldon Glashow 

1979 - Herbert Charles Brown 

1980 - Paul Berg 

1980 - Walter Gilbert 

1981 - Roald Hoffmann 

1982 - Aaron Klug 

1985 - Albert A. Hauptman 

1985 - Jerome Karle 

1986 - Dudley R. Herschbach 

1988 - Robert Huber 

1988 - Leon Lederman 

1988 - Melvin Schwartz 

1988 - Jack Steinberger 

1989 - Sidney Altman 

1990 - Jerome Friedman 

1992 - Rudolph Marcus 

1995 - Martin Perl 

2000 - Alan J. Heeger 

Economia 

1970 - Paul Anthony Samuelson 

1971 - Simon Kuznets 

1972 - Kenneth Joseph Arrow 

1975 - Leonid Kantorovich 

1976 - Milton Friedman 

1978 - Herbert A. Simon 

1980 - Lawrence Robert Klein 

1985 - Franco Modigliani 

1987 - Robert M. Solow 

1990 - Harry Markowitz 

1990 - Merton Miller 

1992 - Gary Becker 

1993 - Robert Fogel 

Medicina 

1908 - Elie Metchnikoff 

1908 - Paul Erlich 

1914 - Robert Barany 

1922 - Otto Meyerhof 

1930 - Karl Landsteiner 

1931 - Otto Warburg 

1936 - Otto Loewi 

1944 - Joseph Erlanger 

1944 - Herbert Spencer Gasser 

1945 - Ernst Boris Cadeia 

1946 - Hermann Joseph Muller 

1950 - Tadeus Reichstein 

1952 - Selman Abraham Waksman 

1953 - Hans Krebs 

1953 - Fritz Albert Lipmann 

1958 - Joshua Lederberg 

1959 - Arthur Kornberg 

1964 - Konrad Bloch 

1965 - François Jacob 

1965 - Andre Lwoff 

1967 - George Wald 

1968 - Marshall W. Nirenberg 

1969 - Salvador Luria 

1970 - Julius Axelrod 

1970 - Sir Bernard Katz 

1972 - Gerald Maurice Edelman 

1975 - Howard Martin Temin 

1976 - Baruch Blumberg 

1977 - Roselyn Sussman Yalow 

1978 - Daniel Nathans 

1980 - Baruj Benacerraf 

1984 - Cesar Milstein 

1985 - Michael Stuart Brown 

1985 - Joseph L. Goldstein 

1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini] 

1988 - Gertrude Elion 

1989 - Harold Varmus 

1991 - Erwin Neher 

1991 - Bert Sakmann 

1993 - Richard J. Roberts 

1993 - Phillip Sharp 

1994 - Alfred Gilman 

1995 - Edward B. Lewis 

1996 - Lu RoseIacovino 

TOTAL: 129 – Cento e Vinte e Nove

 

Os judeus não estão a promover lavagem cerebral em crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar mortes de muçulmanos e outros não-muçulmanos. 

Os judeus não sequestram aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, ou fizeram explodir-se em restaurantes alemães. 

Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja. 

Não há um único judeu que proteste matando pessoas. 

Os judeus não fazem tráfico de escravos, nem têm líderes que pedem Jihad e morte a todos os infiéis. 

Talvez os muçulmanos do mundo devam considerar investir mais em educação e  menos em padrões fundamentalistas, culpando os judeus por todos os seus problemas. 

Os muçulmanos devem perguntar-se a si próprios “o que podem eles fazer pela humanidade ", antes de exigir que a humanidade os respeite. 

Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os Palestinianos e seus vizinhos árabes, mesmo se você acredita que há mais culpa por parte de Israel, as duas frases seguintes realmente dizem tudo:

 

Se os árabes depuserem as armas hoje, não haverá violência nunca mais. 

Se os judeus depuserem as armas hoje, não haverá mais Israel. 

Benjamin Netanyahu

  

O General Eisenhower advertiu-nos: “É uma questão de história” 

Quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que se fizessem todas as fotografias possíveis e que os alemães das cidades vizinhas fossem convidados a visitar esses campos de extermínio e a enterrar os mortos. 

Ele fez isso e disse em palavras sentidas: "Tenham tudo sob documentação - obtenham os filmes - obtenham as testemunhas – porque um dia, em algum lugar, no caminho da história, algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu”. 

Recentemente, no Reino Unido realizaram-se múltiplos debates no sentido de se remover o Holocausto dos seus currículos escolares porque tal 'ofende' a população muçulmana, que afirma que nunca ocorreu o Holocausto! 

Ele não foi removido ainda. No entanto, este é um presságio assustador sobre o medo que está a atingir o mundo, e o quão facilmente cada país está a contribuir para propagar tal situação. Passaram somente 65 anos sobre o final da IIª Guerra Mundial. 

Agora, mais do que nunca, com o Irão, entre outros, sustentando que o Holocausto é um mito, é absolutamente imperativo assegurar que o mundo nunca o esqueça. 

Quantos anos vão passar para que se pense que o ataque ao World Trade Center “nunca aconteceu” porque pode ofender alguns muçulmanos nos Estados Unidos? 

Só por mera curiosidade eis aqui o mail do Ayathola Khamenei - (para os mais afoitos e que queiram enviar algum mail ao líder espritual do Irão): https://www.facebook.com/www.Khamenei.ir 

Luis Arriaga 

Sydney, aos 15 de Abril de 2014.

  

 

Violência Doméstica

É um tema polémico!

Sei que este é um tema difícil e relativamente ao qual ninguém se sente cómodo a debruçar-se pelos naturais embaraços que tal matéria traz – ou porque nos é naturalmente desagradável, ou porque já se passou pelo problema, ou porque conhecemos de perto alguém ainda envolvido nas malhas de tão odioso transtorno, ou pela violência – sendo certo que cada vez que proponho a alguém trocar impressões sobre o assunto, deparo-me sempre com um ténue riso amarelo e ao fim de escassos minutos o assunto da conversa deriva misteriosamente para o tempo, para o futebol, ou para a política!

Em maior, ou menor grau, a Violência Doméstica afecta milhares de lares em todos os países, independentemente do grau de desenvolvimento económico, da latitude, da religiião seguida, do estatuto dos que acabarm por se envolver nas malhas escabrosas de tal prática.

Mas será que Violência Doméstica se confina às situações em que os companheiros agridem as companheiras, chegando a matá-las “à porrada”?

A resposta a esta questão é obviamente NÃO!

Infelizmente os registos de Violência Doméstica, são, em todo o mundo, bem mais abrangentes.

Tive oportunidade de, ainda residindo em Mafra, organizar (entre outros), um debate público sobre o tema e para o qual convidei especialistas no assunto – uma Juíza, uma Advogada, um Professor, um Padre e um Jornalista. Na ocasião, tivémos de (evidentemente) confinar o debate e os respectivos registos judiciais e elementos estatísticos ao Oeste de Portugal e quase todos, com surpresa, ouviram os especialistas referir que a tipologia dos crimes praticados revelava um enorme crescimento no segmento “netos que agridem os avós”.

Maridos que agridem as mulheres e mulheres que agridem os maridos são contudo as “imagens” que mais facilmente ocorrem à mente de quem se aproxima do assunto. Imensos os relatos perturbadores de agressões que talvez se resolvessem meramente através do bom senso.

Será esta, uma questão cultural? Talvez!

Segundo me apercebi então, o número de agressões de netos a avós, sempre foi elevado, porém muito escasso nos registos chegados à polícia e da polícia aos tribunais. A vergonha, o facilitismo, a inadequação social dos queixosos (regra geral envolvendo velhotes pobres e sem saúde, que conscientemente optam por perdoar aos netos e não apresentam queixa, ou o temor de repetições agravadas após apresentação de queixa), foram sempre limitando que as estatísticas traduzissem em números verdadeiros tais procedimentos revoltantes e escandalosos.

Porém, as queixas apresentadas pela vizinhança, o esforço de agentes sociais, a intervenção de entidades como os Rotários, uma intervenção mais empenhada dos agentes da polícia e mesmo uma atitude diferente e mais responsável por parte de médicos e enfermeiros, começou paulatinamente a revelar uma assustadora realidade que, basicamente fora das urbes, isto é, no campo, nas vilas e “pacatas” aldeias do interior, não é infelizmente tão excepcional e irrelevante como seria de prever e de desejar!     

Contudo, lembro-me que um dos momentos mais empolgantes desse debate realizado no Concelho de Mafra há já mais de dez anos, foi quando se tentou caracterizar o chamado fenómeno da Violência Doméstica.

Com efeito, a tipificação de tal crime é muito mais difícil e necessariamente alargada do que à partida nos possa parecer, pois as coisas não se devem limitar às agressões físicas e terão de abranger as ameaças, as manipulações, atitudes que têm mais contorno passivo do que activo, actos repetidos e constantes de provocação, o desrespeito pela personalidade e dignidade da vítima, os contornos inerentes ao perfil introspectivo ou extrovertido de ambos os agentes.

Um pouco à semelhança daquilo que nos areópagos internacionais se passa com a tipificação do que é afinal o Terrorismo, (em que há mais de vinte anos se discute sem se chegar à conclusão do que é afinal um acto terrorista), também aqui parece ser difícil elencar o que é realmente o crime de Violência Doméstica, violação cujos contornos mostram uma acanhada tendência em se ficar por uma caracterização redutora.   

Um estaladão, um empurrão violento que deixa nódoas negras, um murro, um olho negro, são obviamente evidências conclusivas de “violência doméstica”. Mas vejamos também e com a maior atenção outros comportamentos.

Sempre que “ela” (ou “ele” – aqui a identificação do género é meramente exemplificativa) levanta a voz e nem permite que se lhe responda, sempre que ela desata a ameaçar que sai de casa e vai de malas feitas para casa da mãe, ou que faz um escândalo público, ou que chama as maiores asneiras envolvendo o pai, a mãe e a família do parceiro, sempre que um deles começa gradualmente a deixar de conversar, de confidenciar aquilo que sempre caracterizou a relação saudável do casal, sempre que alguém inicia uma greve sistemática às relações sexuais, sempre que as tarefas de casa são metodicamente deixadas para trás com o declarado fito de criar o caos doméstico, sempre que “ela” anda permanentemente de telemóvel na mão a ver as mensagens de SMS e a respondê-las criando insegurança e ciúme, sempre que injustificadamente “ela” chega tarde às 6ªs feiras, sem dar “cavaco” às tropas, sempre que aos fins-de-semana não haja nunca disponibilidade para se passear, ir a um centro comercial, ir ao cinema, ouvir uma musiquinha do tempo do noivado, sempre que haja cenas porque um tipo quer ver na televisão aquela partida de futebol para a Taça da Champions, pergunto: e então? Aqui não existe “violência doméstica”? – a violência não tem de ser forçosamente física, podendo ter afinal uma configuração meramente psicológica, com base em palavras e atitudes! E garanto-vos que não deixa de configurar uma punitiva atitude de grande violência!

Também me lembro que quando fiz o meu estágio para Advocacia, nos anos setenta, em Lisboa, tive um Patrono, advogado experimentado ( peço desculpa por não referir o seu nome, mas considero que deontologicamente tal atitude seria indesculpável), que aos sábados de manhã, recebia no seu escritório uma ou duas clientes (mulheres) a quem ele infligia grandessíssimos arraiais de porrada (com elas a padecer em sofrido silêncio) e dali seguiam ambos para um posto de Polícia para apresentar queixa contra  o marido, que entretanto em casa, aguardava amargurado que alguém lhe explicasse uma incrível cena feita meia-hora antes, em que, inusitada, injustificada e inesperadamente, a mulher desatava a gritar e a queixar-se de estar a apanhar, indo de encontro às paredes e atirava cadeiras ao chão, partia a loiça, fazia um escândalo inegável e alertava a vizinhança, a todos iludindo  e de repente, saía de casa, pegava no carro e abalava! (Ela ia obviamente ter com o seu advogado ao escritório, seguindo, como se relatou atrás, para a Polícia, apresentando queixa de um arraial de porrada que o marido afinal só supostamente  lhe dera!). Era a estratégia para a apresentação sustentada de um pedido de divórcio...

Enfim, como se vê, as coisas não são assim tão simples e mesmo quando o tema nos induz a pensar-se de contornos pacíficos e simples de entender... as complicações começam a surgir e o que era simples torna-se afinal muito denso e complicado.

A Violência Doméstica mais não é do que uma das mais significativas páginas de um todo mais extenso e difícil de entender e aceitar – a natureza conflitual, conflituosa e conflituante do Homem.

Permitam-me este pequeno parêntesis, só para explicar que conflitual, conflituoso e conflituante são conceitos próximos, mas diferentes entre si e com significado autónomo.

Conflitual – a qualidade genérica de qualquer ser humano estar capacitado para se envolver em conflitos. Os conflitos não têm de forçosamente configurar aspectos violentos. Podem ser violentos, mas desde que representem um grau mínimo de tensão podem ser admitidos como actos conflituais.

Conflituoso – aquele que normalmente inicia crises conflituais. Agente activo dos conflitos.

Conflituante – aquele que, envolvendo-se forçosamente num conflito, o faz não por sua iniciativa, (agente passivo), mas, porque forçado a isso para se defender, independentemente do grau do conflito.

Evidentemente que, no meio desta hedionda amálgama, ficam as “figuras” inerentes aos restantes sub-capítulos, dos pais que batem nos filhos, dos filhos que agridem os pais, da violência entre irmãos, das relações acidentadas e conflituais entre parentes em diferentes graus (tios, sobrinhos, primos, etc).

Julgo que se estarão a dar agora os primeiros passos no sentido de se estudar, analisar e legislar sobre este tipo de crimes e numa grande parte dos países ocidentais, existe já uma compilação de determinações e práticas que procuram diminuir a incidência destas práticas criminosas, embora se reconheça que muito há a fazer e muitos anos passarão ainda com milhares de vítimas a sofrer em silêncio o que os agressores impunemente entendem infligir.

Em muitos países da orla do Islão a situação da mulher é confrangedora e segundo alguns analistas políticos, só a sua completa reversão permitirá a evolução para a modernidade desses países, onde a mulher tem (ainda hoje, em pleno século XXI), estatuto de coisa, objecto de posse da família, do marido, ou na falta deste, dos parentes mais chegados.

Daqui humildemente peço aos leitores deste insignificante texto, a necessária divulgação para que todos possamos de forma eficaz e consciente dar um “estaladão” na Violência Doméstica.

Assim seja! Inch Allah! 

Luis Arriaga

Sydney, aos 24 de Abril de 2014.

 

As leis são para se desobedecer 

Ainda eu não decidira cursar Direito, na Clássica em Lisboa, para onde fui uma série de anos antes do 25 de Abril, e já eu conhecia uma piada que se contava como quem procura caracterizar o espírito irreverente dos portugueses. 

A célebre fórmula do Inglês, do francês e do Tuga, esperto e avassalador! 

Ao inglês, no alto de uma torre, pedia-se-lhe que saltasse e desse a vida pela Rainha. Ah, se é pela Rainha, eu salto; ao francês que fizesse o mesmo, mas que o fizesse pela beleza das mulheres de todo o mundo, e o homem saltou! Finalmente ao português, que obviamente se recusou perante a eminência lógica do desastre, ao que o proponente retorquiu dizendo, ‘tá bem, também é proibido! E então o porruguês saltou!!! 

Talvez tal piada me tenha ficado gravada no subconsciente e a verdade é que, já na faculdade, dei por mim, por várias vezes a ponderar sobre o fundamento filosófico inerente à existência de leis e sobre o que lhes dá vida!  

Porém, um dia, um velho mestre da universidade de Direito, em Lisboa, perante o espanto de todos nós, recém universitários, ensinava-nos que a essência das leis é serem desobedecidas! 

Quando alguém se lembra de legislar é obviamente na expectativa de que a lei seja cumprida, porém, o poder sancionatório decorrente da imposição legislativa só se concretizará se de facto a lei for desrespeitada. 

O que à partida pode parecer uma contradição, corresponde à essência de qualquer lei, uma vez que às mesmas não compete somente estabelecer condutas, mas impor uma sanção para o caso da mesma ser desrespeitada parcial, ou totalmente. 

Com efeito, é desta forma paradoxal que qualquer lei ganha vida: ao ser desobedecida, pois só assim se faz justiça e quer quem cumpre, quer quem incumpre, sente então o peso da existência da lei em causa.  

E como as leis, muitas outras coisas vivem o paradoxo que acima se assinala – a democracia, a saúde, as relações entre as pessoas, o casamento, a religião... 

Filosoficamente abordados os diversos institutos referidos, eles assentam as suas essências no paradoxo da sua negação e só assim se fazem prevalecer, fazendo crer que até a vida ganha sentido com a morte, o que, podendo parecer estranho, reforça o que tantas vezes se ouve dizer: a vida só se completa e faz sentido, quando a morte sobrevém para coroar o destino de cada um! 

Veja-se que até o exemplo da vida de Cristo pode representar o corolário desta filosofia do paradoxo das leis, pois só com a morte de Cristo a sua vida ganhou sentido e desse facto resulta aliás toda a essência da religião católica. 

Este mero exercício não deverá porém ser entendido como convite (ou mera sugestão) para que se incumpra uma lei, a menos que a mesma, visivelmente se apresente como injusta ou impossível de cumprir e aí, assiste o direito a que o cidadão incumpra, sustentando legitimamente a sua atitude. 

E de nada valerá ao legislador argumentar com o antigo aforismo latino da dura lex, sed lex (dura é a lei, mas é lei), pois a aplicação cega e irracional de uma lei mal elaborada certamente está ferida de inconstitucionalidade e obviamente assiste ao cidadão o legítimo direito de desobedecer, provocando a derrogação, ou até a revogação da referida lei. 

Em resumo, não haveria necessidade de existência de qualquer lei se à partida se tivesse como garantida uma conduta irrepreensível por parte de cidadãos e empresas. 

É desnecessário impor uma determinada Lei em vigor. Necessário é que se alterem comportamentos. 

Recentemente o Professor Luis de Sousa, politólogo e professor da Universidade de Aveiro escrevia numa crónica sua publicada no Jornal O Público, algo que agora parcialmente se transcreve e com a devida vénia: 

Tendo em conta a banalizaçãodo incumprimento da lei, a derradeira pergunta é a de saber se a actual lei e sistema de fiscalização servem para alguma coisa. O mérito de um sistema de regulação/fiscalização, não se mede apenas pelo número de infracções detectadas e sancionadas, mas sobretudo pela alterações de comportamentos dos visados mediante a apropriação de princípios de ética e desse ponto de vista, a situação pouco ou nada evoluiu. 

Contudo, a este propósito, (a propósito de comportamentos),  gostaria de sujeitar à opinião dos leitores deste Portal Região Económica dos Açores um curto, mas brilhante texto de Howard Zinn que não deixa também de apresentar uma visão muito própria sobre o mesmo tema: 

"A desobediência civil não é o nosso problema. O nosso problema é a obediência civil. O nosso problema é que pessoas por todo o mundo têm obedecido às ordens de líderes e milhões têm morrido por causa dessa obediência. O nosso problema é que as pessoas são obedientes por todo o mundo face à pobreza, fome, estupidez, guerra e crueldade. O nosso problema é que as pessoas são obedientes enquanto as cadeias se enchem de pequenos ladrões e os grandes ladrões governam o país.
É esse o nosso problema."
 

A famosa e badalada Lei do Financiamento dos Partidos é bem o corolário das diversas ideias aqui explanadas sobre o incumprimento das leis e da sua inerente (e escandalosa, dirão alguns) aceitação! 

Pode parecer paradoxal, mas na sua essência, as Leis... são mesmo para ser desobedecidas! 

Luis Arriaga 

Sydney, aos 24 de Abril de 2014.

 

 

Uma Tese de Direito Internacional
 

Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia.

A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto.

Eis o discurso :

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para eu poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provem todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América.

Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..." 

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que acabara de expor uma brilhante tese de Direito Internacional.

Luis Arriaga

Sydney, aos 24 de Abril de 2014.

 

 

A pobreza, a miséria e a desgraça...

 

DÃO MUIIIIITO DINHEIRO!
 

Quando um dia recebi esta informação que me foi passada por um amigo, devo dizer que fiquei incrédulo e cheguei a desconfiar que não correspondesse à verdade, ou até que houvesse algum exagero, algumamanipulaçãozinha com contornos escondidos. 

Passei a investigar e cheguei mesmo à fase da experimentação. Através de um grupo com ligações ao Movimento Rotário, que não vou identificar nesta coluna do Portal do RE Açores, eu verifiquei a pertinência e veracidade de tudo quanto abaixo se descreve. 

Mais tarde percebi quão sintomáticas são as múltiplas acções de “solidariedade” que a desgraça alheia faz promover. Proliferam mesmo a nível de acções (peditórios, rifas, leilões, etc) a nível internacional. 

Há quem faça dos peditórios uma rentável forma de vida. Lamentável, mas real. Não sendo fácil combater e também porque não haja escandalosas evidências, suponho que tudo irá continuar como até aqui!  

Negócio da fome 

Aparentes acções de grande solidariedade, as campanhas de recolha de alimentos para carenciados constituem, isso sim, agressivas operações comerciais. 

Quem acaba por mais lucrar são supermercados e hipermercados, que vêem as suas vendas aumentar. 

A seguir vem o estado, pois este acréscimo de consumo representa também aumento na colecta de impostos. E os pobres dos pobres, que justificam as campanhas são, afinal, os menos beneficiados. 

Em dias de recolha de alimentos, as grandes superfícies aumentam consideravelmente as suas vendas, sem sequer necessitarem de promoções ou até de qualquer trabalho de marketing suplementar. 

As administrações do Pingo Doce e do Continente, que no seu conjunto detêm cerca de 90% do mercado de distribuição, devem rejubilar com esta campanha comercial, disfarçada de acção solidária... 

Ano após ano, os Bancos Alimentares contribuem para o acréscimo da sua facturação em dezenas de milhões de euros. Parte significativa deste montante engorda os lucros das empresas de distribuição. 

E não só. Também o estado tira proveito deste acréscimo de consumo, pela via do IVA que é cobrado, em muitos dos produtos a 23%, o que representa também milhões de euros. 

Assim, os voluntários da Cruz Vermelha que participam na ‘Operação Sorriso' cumprem a função (involuntária) de promotores de vendas do Continente. 

Os milhares de jovens que colaboram com o Banco Alimentar julgam estar a ajudar as famílias portuguesas, mas as famílias que mais beneficiam das campanhas de recolha de alimentos são as de Belmiro de Azevedo e de Soares dos Santos

A maior parte da ajuda fica pelo caminho, chegando às centenas de milhares de necessitados apenas uma reduzida percentagem do generoso esforço financeiro dos portugueses. 

E está mal aproveitado o trabalho abnegado de milhares de voluntários bem-intencionados que são usados, sem disso se aperceberem, como peças de uma máquina comercial. Para que as operações de oferta de alimentos aos mais carenciados sejam eficazes. 

Há que encontrar esquemas alternativos de distribuição directa dos recursos

“A actividade solidária não necessita de ser taxada com IVA nem de intermediários que retêm a maioria do valor dos donativos, como é o caso dos hipermercados.” 

Paulo Morais

Em Inglaterra, a cadeia de supermercados Waitrose, oferece uma moeda (uma chapa) a cada cliente que faz compras acima dum determinado valor. 

O cliente, à saída, tem, normalmente, três caixas, cada uma em nome duma instituição social sediada no município, para receber as referidas moedas, de acordo com a opção do cliente. 

Periodicamente, são contadas as moedas de cada caixa e a empresa entrega em dinheiro, à respectiva instituição, o valor correspondente, donativo esse, que diminui os seus lucros mas, também, tem o devido tratamento em termos de fiscalidade. 

Em Portugal, as campanhas de solidariedade custam ao doador uma parte para a instituição, outra parte para o Estado e mais uma boa parte para a empresa que está a operacionalizar (?!...) a acção. 

Em Dezembro 2013 decorreu mais uma ação, louvável, do programa da luta contra a fome mas....façam o vosso juízo! A recolha em hipermercados, segundo os telejornais, foi cerca de 2.644 toneladas! 

Se cada pessoa adquiriu no hipermercado 1 produto para doar e se esse produto custou, digamos, 0.50 ? (cinquenta cêntimos), repare que: 

2.644.000 kg x 0,50 ? dá 1.322.000,00 ? (1 milhão, trezentos e vinte e dois mil euros), total pago nas caixas dos hipermercados. 

- o Estado: (23% de iva) 

- o Hipermercado: 396.600,00 ? (margem de lucro de cerca de 30%). 

Devo dizer que não deixo de louvar a acção da recolha e o meu respeito pelos milhares de voluntários. 

MAIS.... 

- Porque é que os madeirenses receberam 2 milhões de euros da solidariedade nacional, quando, o que foi doado eram 2 milhões e 880 mil? 

Querem saber para onde foi esta "pequena" parcela de 880.000 euros?? 

A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à mão-armada. 

Pelas televisões a promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 ? + IVA. São 0,738 no total. 

O que por má-fé não se diz é que o donativo que deverá chegar (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 ! 

Assim, oferecemos 0,50  a quem carece, mas cobram-nos 0,738 ?, mais 0,238 ? cerca ou + de 32%. 

Quem ficou com esta diferença? 

1º - a PT com 0,10 ! (17%) isto é a diferença dos 50 para os 60. 

2º - o Estado com 0,138 ! (23%) referente ao IVA sobre 0,60. 

A RTP anunciou com imensa satisfação que o montante doado atingiu os 2.000.000,00. 

Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44%, ou seja, mais 880.000,00 ? divididos entre a PT (400.000,00  para a ajuda dos salários dos administradores?) e o Estado (480.000,00 para auxílio do reequilíbrio das contas públicas e aos trafulhas que por lá andam!). 

A PT cobra comissão de quase 20% num acto de solidariedade!!! 

DENUNCIEMOS tamanha trafulhice! 

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons." 
 

Luis Arriaga

Sydney, aos 14 de Abril de 2014.

 


O Quinto Império
 

 

São muitas as referências ao chamado Quinto Império

Muitas dúvidas se formaram ao longo da História e diversas as opiniões formuladas sobre a importância do mesmo e da sua íntima ligação a Portugal. 

Vários foram os autores que o trataram até de forma esotérica. 

Convém, por isso, aqui esclarecer o que significa afinal o Quinto Império e porque está ele tão ligado ao destino de Portugal. 

Procurei neste Portal descrever o que estudei sobre o Quinto Império e fazê-lo de uma forma clara e sucinta, por forma a desmistificar tanta trapalhada e mistério balôfo que sobre o assunto tenho ouvido. 

Génese 

O Quinto Império é uma crença messiânica e milenarista com as primeiras referências nas Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento), tornando-se míticas nas várias interpretações que se sucederam ao longo dos tempos. 

Com efeito, no Antigo Testamento, Livro de Daniel (capítulo 2), narra-se um sonho que o rei da Babilónia, Nabucodonosor (604-562 a.C.), quis que os sábios lhe revelassem a interpretação. Era um sonho em torno de uma enorme estátua com cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e ancas de bronze, pernas de ferro e pés de barro, à qual uma grande pedra que se desprendeu da montanha triturou os pés, fazendo tudo em pedaços. 

O profeta Daniel foi quem decifrou o sonho, mostrando que o nascimento e queda de impérios acontecem pela vontade de Deus, embora possa parecer pertencer tal missão aos homens.“Depois de ti surgirá um outro reino, menor que o teu; depois um terceiro reino, o de bronze, que dominará sobre toda a terra. Um quarto reino será forte como o ferro" e, mais à frente, "No tempo destes reis, o Deus dos céus fará aparecer um reino que jamais será destruído e cuja soberania nunca passará a outro povo". Daniel profetizou que depois da grandiosidade do império da Babilónia, sucederiam outros, que de acordo com as interpretações mais correntes são o Medo-Persa, o da Grécia e o de Roma, sendo o Quinto Império universal.” 

Em Portugal, Bandarra – António Gonsalves Annes Bandarra (Trancoso, 1500-1556), de origem judaica, sapateiro, escritor e autor de profecias messiânicas sobre o destino de Portugal, aflorou o assunto do Quinto Império, referindo que a sua revelação se iniciaria em 1888, que foi curiosamente o ano de nascimento de Fernando Pessoa. 

Com efeito, Fernando Pessoa, na sua obra “Mensagem” aborda o Quinto Império e anuncia um novo império civilizacional, que, tal como o Padre António Vieira, acredita ser o português. 

O Padre António Vieira (Jesuíta, 1608-1697), ao desenvolver o mito do Quinto Império, considera que, depois desses grandes impérios liderados por Nabucodonosor (da Babilónia ou dos Assírios), por Ciro (da Pérsia), por Péricles (da Grécia) e por César (de Roma), se chegará ao Império Universal Cristão, o Quinto Império, liderado por um Rei de Portugal. Diz Vieira na sua obra póstuma “História do Futuro”: Chamamos Império Quinto ao novo e futuro que mostrará o discurso desta nossa História,  o qual se há de seguir ao Império Romano na mesma forma de sucessão em que o Romano se seguiu ao Grego, o Grego ao Persa e o Persa ao Assírio. 

Fernando Pessoa 

Porém, Fernando Pessoa, (que nasceu em 1888 – consulte-se a profecia de Bandarra), na sua “Mensagem”, diferentemente da “versão” do Padre António Vieira, ao anunciar um novo império civilizacional, que se encontra para além do material, refere que "A esperança do Quinto Império, tal qual em Portugal a sonhamos e concebemos, não se ajusta, por natureza, ao que a tradição figura como o sentido da interpretação dada por Daniel ao sonho de Nabucodonosor. Nessa figuração tradicional, é este o seguimento dos Impérios: o Primeiro é o da Babilónia, o Segundo o Medo-Persa, o Terceiro o da Grécia e o Quarto o de Roma, ficando o Quinto, como sempre, duvidoso.” 

E adianta Fernando Pessoa: 

“Nesse esquema, porém, que é de impérios materiais, o último é plausivelmente entendido como sendo o Império de Inglaterra. Desse modo se interpreta naquele país; e creio que, nesse nível, se interpreta bem. Não é assim no esquema português. Esse, sendo espiritual, em vez de partir, como naquela tradição, do Império material de Babilónia, parte, antes, com a civilização que vivemos, do Império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro Império, o Segundo é o de Roma. O Terceiro o da Cristandade, e o Quarto o da Europa – isto é, da Europa laica de depois da Renascença. Aqui o Quinto Império terá de ser outro que o inglês, porque terá de ser de outra ordem. Nós o atribuímos a Portugal, para quem o esperamos." (Textos em itálico transcritos por António Quadros, em Fernando Pessoa, Iniciação Global à Obra) 

No século XV pela Europa corriam ventos de reconquista cristã e várias eram as propostas que ao Papa chegavam para se reconquistar Jerusalém aos mouros.

Bandarra – recordemo-lo – nascera em 1500 e vivia com intensidade esta febre cristã da reconquista da Terra Santa.

Jerusalém

No curso da história, Jerusalém foi destruída duas vezes, sitiada 23 vezes, atacada 52 vezes, e capturada e recapturada 44 vezes.

O tema era recorrente e confessamente uma tentação.

Em Portugal e pretendendo dar-se corpo às teses da reconquista, nasceu um projecto arrojado, que definitivamente colocaria o país na ribalta dos acontecimentos políticos do  ocidente (Al- Gharb) e que se consubstanciava na conquista de Jerusalém pelo sul – faceta nunca tentada pelos cristãos, já que os Cruzados chegavam sempre pelo norte, vindos por mar de diversas paragens. A ideia começou a ganhar forma e já no reinado de Dom Manuel I, encetarm-se negociações com o célebre Prestes João da Etiópia, para onde rumou Afonso de Albuquerque, no sentido de reunir e treinar um imenso exército que, partindo da Etiópia rumasse a Jerusalém, a ela chegando pelo sul e tomando-a de surpresa.

Espreitemos por uma fresta a situação de Jerusalém:

Em 1099, Jerusalém fora conquistada pelos Cruzados, que massacraram a maior parte dos habitantes muçulmanos e os resquícios dos habitantes judeus. A maioria dos muçulmanos foram expulsos e a maioria dos habitantes judeus já tinha fugido, no início de Junho de 1099.

A população de Jerusalém tinha diminuído de 70.000 para menos de 30.000. Os sobreviventes judeus foram vendidos na Europa como escravos ou exilados na comunidade judaica do Egipto. Tribos árabes cristãs estabeleceram-se na destruída Cidade Velha de Jerusalém. Em 1187, a cidade foi arrancada das mãos dos Cruzados por Saladino permitindo que os judeus e os muçulmanos pudessem voltar e morar na cidade.

Em 1244, Jerusalém foi saqueada pelos Tártaros Kharezmian, que dizimaram a população cristã da cidade e afastou os judeus, alguns dos quais foram reinstalados em Nablus. Entre 1250 e 1517, Jerusalém foi governado pelos mamelucos, que impuseram um pesado imposto anual sobre os judeus e destruíram os lugares sagrados dos cristãos no Monte Sião.

Entretanto, no início do século XVI, Jerusalém cai sob o domínio Otomano e tal situação desencadeia intermináveis planos para uma reconquista que nunca se verificou. A febre da reconquista chega a Portugal.

Em 1517, Jerusalém e toda a região envolvente está sob domínio Turco Otomano, assim permanecendo até 1917. Como em grande parte do domínio Otomano, Jerusalém permaneceu um provincial e importante centro religioso, e não participava da principal rota comercial entre Damasco e o Cairo.

Portugal no século XVI

Em Portugal os acontecimentos despertam um fervor em torno da eventual reconquista cristã de Jerusalém e nasce a crença de que o destino de Portugal estará eminentemente ligado a tal reconquista que, não só justificará a existência da nacionalidade, como contribuirá para a expansão da fé, aumentando o prestígio de Portugal como nação de desígnios divinos.

Supostamente Deus terá permitido que, de forma autónoma de Castela, se tivesse formado um país – Portugal – com a missão divina de reconquistar Jerusalém, desígnio que a não ser cumprido iria fatalmente destruir a nação e dissolvê-la para sempre, ao longo dos séculos subsequentes.

Tal prestígio, tais ambições, não agradam a Castela, onde reinavam os Reis Católicos, muito ciosos da sua importância no panorama europeu de então, e o recentemente assinado Tratado de Tordesilhas (em 1494), deveria manter a todo o custo um equilíbrio geo-político entre os dois reinos ibéricos. Naturalmente um projecto como o da reconquista de Jerusalém iria desequilibrar o fulcro da balança a favor de Portugal.

Em Portugal reinava Dom Manuel I.

Quem foi Dom Manuel

 Nasceu a 1 de Junho de 1469 em Alcochete, num período em que o país estava assolado pela peste negra.

Não era para ter sido monarca.

De famílias nobres, Manuel era um protegido do Rei – Dom João II – que, contudo, assassinara (ele próprio) o irmão mais velho de Manuel, Diogo, Duque de Viseu.

Dom João II, sentindo chegar a hora de arranjar um sucessor, já que o seu filho primogénito Afonso de Portugal sucumbira após uma queda do cavalo, chamou ao palácio real o seu filho adoptivo Manuel e fê-lo Rei de Portugal em 1495, com a idade de 26 anos. Isto, porém, depois de falharem as tentativas para nomear Rei o seu filho bastardo Jorge de Lencastre.

O país estava próspero e o governo tinha em mãos diversos projectos arrojados, entre os quais a expansão marítima.

Dom Manuel I estava em idade casadoira e apaixonou-se por Isabel de Aragão, filha dos Reis católicos de Espanha, Isabel que anteriormente já se casara com Afonso de Portugal (filho de Dom João II). Ao pedi-la em casamento, a rainha Isabel (homónima da filha), prometeu-a sob duas condições:

1ª – que o monarca português perseguisse os judeus e os expulsasse do país, e se possível introduzisse a Inquisição  para que a perseguição aos não católicos fosse mais eficaz;

2ª – que desistisse da “tremenda” campanha da prevista “nova cruzada” da conquista de Jerusalém pelo sul;

Estas duas condicionantes revelar-se-iam verdadeiramente dramáticas para Portugal, uma vez que o embeiçado e inexperiente D. Manuel as aceitou, sem contrapartidas.

A 1ª porque Portugal iria depauperar-se economicamente uma vez que os Judeus portugueses eram quem detinha considerável quota de conhecimentos científicos e uma considerável fortuna e perante a ameaça de expulsão eles iriam tentar transferir para o estrangeiro, ou transportar para fora de Portugal a maior parte do dinheiro, das jóias e dos bens. E assim sucedeu, sendo que os maiores beneficiários de tal diáspora foram a Holanda, a França, algumas cidades italianas, a Turquia e o Brasil. Ainda hoje na Holanda e na Turquia são evidentes as marcas dessa debandada judaica.

Aliás as perseguições aos muçulmanos e aos judeus começaram ferozmente no ano seguinte ao do início do reinado de Dom Manuel, em 1496 e duraram até 1498. Expulsões, conversões forçadas e penas capitais através de processos bárbaros com centenas de vítimas queimadas vivas, foram o resultado de uma perseguição ainda hoje lembrada em Israel. Em 1506 esse holocausto atinge o seu expoente maior com o chamado Pogrom de Lisboa, ou Massacre de Lisboa.

A 2ª porque de facto Dom Manuel desistiu da ideia da conquista de Jerusalém pelo sul, cedendo às exigências dos Reis Católicos de Espanha e enviou emissários avisando o responsável militar português dessas novas orientações. Esse responsável era o temido Dom Afonso de Albuquerque, que entretanto preparara tudo com a intervenção do célebre Prestes João da Etiópia. Na época é inesperadamente desmobilizado um exército de mais de 40.000 homens treinados para a reconquista de Jerusalém.

Gorados os intentos e as preparações de uma invasão que não se chegou a dar, Afonso de Albuquerque rumou para outras paragens, tendo conquistado Ormuz em 1507, com um exército cinquenta vezes mais pequeno que o do inimigo, que era constituído à base de militares persas. Em 1511 Afonso de Albuquqerque toma Malaca.

De imediato, em Portugal apareceram rumores de que o destino de Portugal estaria doravante comprometido, dir-se-ia amaldiçoado, exactamente por se não ter cumprido o compromisso sagrado da reconquista de Jerusalém.

Umas quantas versões referiam que a maldição se faria sentir pelos quinhentos anos seguintes. Outras versões mais radicais, afirmavam mesmo que Portugal estaria condenado a desaparecer. Algumas das que referiam o desaparecimento, chegavam a prognosticar a dissolução de Portugal no reino de Espanha, aventando-se a hipótese de uma União Ibérica, solução que tem ressurgido periodicamente, sempre com renovado vigor, tendo alguns prestigiados defensores na actualidade, dos quais o mais destacado é o Professor Adriano Moreira.

O Padre António Vieira (no século XVII, como atrás se referiu) e posteriormente no século XX, Fernando Pessoa, foram os autores que, com maior ênfase, se dedicaram ao tema e às crenças ligadas ao Quinto Império

Conclusão

De novo o espectro das maldições se levanta.

O 25 de Abril e a terrível e muito discutível descolonização de que muitos ainda hoje padecem, (na Europa e em África) e cuja história verdadeira e inteira ainda está por contar, as sucessivas crises sistémicas por que o país tem atravessado sem fim à vista, são o preâmbulo ideal para o ressurgimento das teses fatalistas que referem o Quinto Império e tudo o que ele arrasta de pernicioso.

 Quinhentos anos em cima da “desistência” da conquista de Jerusalém, resultam na fase actual de vida do país, com um regime de partidocracia em autêntico desgoverno  e constante ameaça de perda de soberania numa comunidade europeia de duvidosos contornos sociais, económicos e políticos.

Estaremos de facto a assistir impávidos ao fim de Portugal?

Ou estaremos, pelo contrário, nos alvores de uma nova era política que livrará Portugal de profecias e maldições?

Em todo o caso, estamos novamente na difícil fase de quem dobra o Cabo Bojador.

Olhando para trás, entendemos agora que Dom Manuel I, que no liceu estudei como sendo dos mais brilhantes dos nossos monarcas, terá sido afinal o pior deles, talvez o seu carrasco!

Outros analistas asseguram que a ocupação da cadeira de São Pedro por um Papa Jesuíta (menção a Francisco I) promoverá a restauração da velha Ordem de Cristo, (a dissimulação da Ordem dos Templários), facto que reconduzirá Portugal à ribalta da História, devolvendo ao país o prestígio e a dignidade de outrora.

Talvez por isso falte cumprir Portugal, como dizia Fernando Pessoa.

Luis Arriaga

Sydney, aos 8 de Abril de 2014

 

 

Somos pó das estrelas do Universo! 

Provavelmente ainda não teria pensado bem nisso, mas somos feitos da mesma matéria de que há milhões de anos se fizeram as estrelas.

No fundo, as propriedades físicas e químicas das estrelas, estão presentes nos nossos corpos e nós acabamos, naturalmente, por nos comportarmos fisicamente como todos os restantes corpos que existem no universo.

À nossa escala, vivemos uma vida que supostamente não é eterna. Temos um princípio, uma vida com uma energia para dispender e uma meta – a morte – que, à semelhança de tudo o mais que existe no universo, não significa o “fim”, mas tão somente um ciclo que se renova e reaparece, como uma gota de água que corre num rio e desagua no mar, de onde através da evaporação se transforma em vapor, juntando-se depois a outras, formando uma nuvem que mais adiante cai sob a forma de chuva e escorre e se mistura com o pó da terra, ou se junta a um diferente rio ali mais adiante, ou se evapora de novo, subindo outra vez a outra nuvem, até que de novo se condense e caia como chuva reiniciando todo o processo, vezes sem conta.

Também nós vamos e voltamos num processo que, acredito, é um ciclo de constante aperfeiçoamento, até que (e é de novo a minha crença) estamos tão aperfeiçoados que nos juntamos a um corpo só (perto de Deus?) de onde se originam novas estrelas, ou novos astros, ou novos animais, ou novas pessoas, sem que esta ordem pressuponha uma qualquer hierarquização existencial.

É por isso que considero a morte uma passagem para nova dimensão, que abre as portas de novo ciclo de aperfeiçoamento e quem sabe (?) provavelmente tal acontecimento supostamente trágico, é visto pela nossa consciência com um cândido sorriso de cada vez que morremos, “pensando” – oh como era ridículo o pavor que eu tinha da morte quando vivia a vida lá na Terra, ocupado com mil e uma coisas, sem tempo para pensar!      

Na morte, como na vida, somos parte de uma matriz universal. Comportamo-nos de acordo com essa matriz.

Ninguém sabe o que ela é, nem como ela nos trata, se dói, nem para onde vamos, nem se há céu, ou inferno.

Uma coisa é certa: ela existe. É mesmo a única coisa certa com que se pode contar desde que se nasce.

Quando nascemos, ningém pode garantir se vamos ser saudáveis, se vamos viver felizes, se vamos ser ricos, ou pobres...

Sabemos, isso sim,  que partiremos para um destino que se teme e sobre o qual tantas crenças existem, para um estado, para uma dimensão a que chamamos MORTE e que ninguém pode razoavelmente assegurar se é, ou não, afinal o fim.

Tudo depende da fé que se tem e daquilo em que nos fizeram crer. Sabemos que noutras latitudes da Terra, outras culturas assumem posições diferentes sobre a morte.

E no fundo, cada um de nós, só supostamente é livre de escolher, visto que cada um acaba sempre por adoptar uma de entre as teorias conhecidas e essas, só são conhecidas porque se nos apresentam ao dispor da cultura vigente. Livre arbítrio...

No Ocidente vigoram os princípios ditos Cristãos, no Norte de África já vigora o Islão, no Oriente o Budismo e o induísmo e por aí fora, numa diversidade que nem sempre significa diferenças substanciais.

O que sempre me causou estranheza foi o horror, ou o pudor atávico que os ocidentais revelam quando confrontados com o tema da morte, sendo ela a única coisa certa que nos está destinada, quer tenhamos sido ricos, ou pobres, poderosos, ou simples, desconhecidos, ou famosos.

Talvez até seja verdade que exista a reincarnação, talvez a morte seja só uma alteração da nossa dimensão, talvez sofra só quem cá fica, porque a saudade magoa, porque o amor é egoísta!

Há físicos que defendem que a morte não tem explicação universal plausível, na medida em que o nível energético se mantém constante neste sistema gigantesco, onde apesar de tudo, tudo tem a ver com tudo.

Mais uma vez, este tema acaba invariavelmente por desembocar nesta infinita convergência que é a consciência que cada um tem de si, do destino e do sentido que a vida tem... ou não tem. E a consciência é o repositório do que achamos ser o conhecimento do que é o BEM e do que é o MAL.

Para já, ocorre-me recordar que só morre quem parte sem deixar memória e isso é tarefa que se remedeia em vida! 


Luis Arriaga
 

Sydney, aos 8 de Abril de 2014