Como 16 empresas vão poupar mais de 130 milhões de euros em dez anos

A dez anos, as poupanças previstas pelas 16 empresas que fazem parte do projecto Ação 7, lançado pelo BCSD Portugal (Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável), chegam aos 130 milhões de euros.

Milhões que se devem a medidas específicas de eficiência energética nas suas empresas, tomadas mediante um investimento de 14 milhões de euros. São milhões de euros de poupança com medidas aparentemente simples como desligar o computador quando se sai, trocar gasóleo por electricidade, escolher a melhor hora para se cozer bolos ou apostar em fontes renováveis. 

Entre estes 16 casos de sucesso, estão empresas industriais como a Cimpor ou a Ferpinta, empresas de serviços como a sociedade de advogados Vieira de Almeida e Advogados, ou de telecomunicações como a NOS. Empresas cujos ‘case-studies' são explicados, nestas páginas, pelo Diário Económico. Tanto estes como os restantes estão disponíveis no site da BCSD Portugal, conselho que representa 100 empresas e 38% do PIB português .
Um dos casos que maiores poupanças poderá trazer é o da Sonae MC, que prevê poupanças a dez anos na ordem dos 65,6 milhões de euros.

Outro dos casos mais importantes é o da ANA - Aeroportos de Portugal. Numa década, a empresa, que prevê investir 580 mil euros, prevê poupar 1,2 milhões de euros só com a instalação de contadores inteligentes (‘smart metering') que permitem a gestão remota de energia e água quer da própria ANA Aeroportos quer das lojas, escritórios, cafés ou restaurantes que existem nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Ponta Delgada, Funchal, Horta e Santa Maria. Com os 4.156 contadores, a empresa sabe ao certo o que cada espaço gasta e implementa medidas concretas. Oobjectivo da empresa liderada por Jorge Ponce de Leão é que até 2020 o consumo de electricidade, gás natural, combustíveis líquidos, água e da quantidade de calor necessária para manter os sistemas energéticos operacionais (entalpia) nos aeroportos desça 2% todos os anos, sendo que em alguns poderá mesmo cair 10%. Entre as medidas, está precisamente o conselho a cafés e restaurantes sobre a melhor hora para cozer bolos, uma medida simples que permite poupanças efectivas nos gastos com energia.

Como tudo começou

Foi em 2013 que as empresas que integram o BCSD apontaram a questão da eficiência energética como uma das que mais os preocupava no campo da sustentabilidade da empresa. Quando começaram a ser contactadas e questionadas sobre a eficiência energética, muitas das dúvidas dos seus gestores tinham a ver com questões como o facto de esta não ser considerada uma variável de custo ou de haver pouco alinhamento entre as propostas de projectos de eficiência energética e o modelo de negócio das empresas. O BCSD Portugal decidiu então avançar com 16 casos para provar que é possível demonstrar valores de investimento, períodos de retorno, poupanças a cinco e a dez anos, etc., ou seja, que é possível mostrar indicadores económico-financeiros de projectos de eficiência energética. Cada empresa escolheu então o projecto a apresentar e divulgou investimentos, prazos, ‘paybacks' e, até, a redução no custo unitário de produção. Dados que são essenciais para a tomada de decisão dos gestores de topo.

A análise dos casos levou ainda a BCSD a concluir que para a empresa ser mais eficiente, em termos energéticos, é uma oportunidade para reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade, disse Fernanda Pargana, secretária-geral do BCSD, ao DiárioEconómico.

Além das poupanças financeiras, a protecção do ambiente e a reputação são também referidas por muitas das empresas estudadas. Como a propósito referiu José Fortunato, administrador da Sonae MC, "as empresas devem procurar sempre o desenvolvimento sustentável do negócio" e que este possa "contribuir para um mundo melhor do ponto de vista, social, ambiental e económico".

Fonte: Económico

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