Crise da cotação do petróleo continua a afundar kwanza angolano

O dólar disparou quase 12%, face à moeda nacional angolana, desde o agravamento da crise da cotação do barril de petróleo, tendo ultrapassado a barreira dos 110 kwanzas, por cada nota norte-americana, na última semana.
A situação, confirmada por dados do Banco Nacional de Angola (BNA) compilados hoje pela agência Lusa, tem vindo a agravar-se desde outubro, acompanhando a escassez de divisas devido à quebra nas receitas petrolíferas, com reflexos no custo de vida, face ao aumento de preços.

No início de outubro de 2014, antes do agravamento da quebra da cotação internacional do barril de crude, cada dólar norte-americano - moeda utilizada nas transações com o exterior e no mercado interno informal - valia 98,511 kwanzas.

Na última semana, segundo a cotação oficial do BNA, cada nota de 1 dólar ultrapassou, pela primeira vez nos registos de mais de um ano, os 110,04 kwanzas (para quem compra divisas na banca comercial).

Trata-se da taxa oficialmente registada pelo banco central, equivalente a uma subida de 11,7% em cerca de sete meses, mas ainda assim longe dos valores praticados no mercado informal.

Cada nota de dólar continua a ser transacionada nas ruas de Luanda a mais de 160 kwanzas - recurso devido às limitações no acesso a divisas que continuam a existir nos bancos comerciais -, ainda assim abaixo dos máximos de 200 kwanzas (para comprar cada dólar) de janeiro e fevereiro.

O governador do BNA, José Pedro de Morais Júnior, anunciou na quinta-feira, em Luanda, que o executivo angolano pretende limitar o acesso a divisas, em função da quebra da cotação internacional do barril de crude, que por sua vez fez diminuir a entrada da moeda norte-americana.

Em 2014, até ao mês de outubro, a venda de cada dólar cifrou-se sempre em menos de 100 kwanzas.

A situação reflete-se, no dia-a-dia, no aumento dos preços (reconhecido pelas autoridades angolanas), com o argumento da grande dependência angolana das importações. Transações que são feitas em dólares e que, por isso, estarão agora mais caras, face ao kwanza, afetando nomeadamente produtos alimentares.

Alguns economistas têm defendido a necessidade de o executivo angolano avançar para uma desvalorização da moeda nacional, para atenuar a subida da moeda estrangeira, medida que já foi reclamada pelos próprios empresários.

O petróleo representou cerca de 70% das receitas fiscais angolanas em 2014, mas a quebra da cotação internacional do barril de crude deverá fazer descer esse peso, segundo o Governo, para 36,5% em 2015 e já obrigou à revisão do Orçamento Geral do Estado para este ano.

Fonte: Noticias ao Minuto
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