‘Grexit’ custaria mais 30 mil milhões à zona euro

S&P diz que risco de saída da Grécia da zona euro aumentou para 50% e calcula o impacto nos custos de financiamento dos Estados-membros.

A Standard & Poor's (S&P) considera que o risco de saída da Grécia da zona euro aumentou para 50% com a rejeição das propostas dos credores no último fim-de-semana e a marcação do referendo para o próximo domingo. Uma saída que, a confirmar-se, teria um impacto de 30 mil milhões de euros nos custos de financiamento da zona euro até ao final de 2016, distribuídos, no entanto, de forma desigual. 

Os países da periferia, mais vulneráveis aos olhos dos investidores, seriam os mais pressionados, com destaque para Itália, cujos custos de financiamento disparariam 11 mil milhões de euros. A agência de ‘rating' não discrimina os valores esperados para a dívida portuguesa, mas alerta que o maior impacto para a zona euro seria sentido "via mercados financeiros dos países periféricos".

A S&Pacredita que após o disparo inicial das ‘yields' da dívida europeia, com destaque para a periférica, o Banco Central Europeu (BCE) será capaz de controlar o movimento através do programa de ‘quantitative easing' (QE). Já "o prémio de risco cambial provavelmente será permanente", escrevem os especialistas da agência num estudo publicado ontem. "A simulação sugere que o impacto mais significativo de uma saída da Grécia seria a reintrodução de um prémio de risco cambial nas ‘yields' das obrigações da região, à medida que a permanência na zona euro deixa de ser vista como irrevogável."

Em suma, os especialistas da agência norte-americana acreditam que os efeitos de um potencial ‘Grexit' nas restantes economias do euro seriam contidos. "Os outros membros da zona euro (periferia incluída) estão agora mais fortes, economicamente e estruturalmente, e o BCE embarcou num QE substancial". Uma visão que, dizem, é reforçada pela reacção inicial dos mercados ao ‘default' perante o FMI.

Fonte: Económico

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