Noruega: o país mais desenvolvido do mundo não sabe o que fazer ao dinheiro

Tem mais de 800 mil milhões de euros disponíveis para investir. O petróleo tornou o país num dos mais ricos do mundo. E há oportunidades para Portugal.

Oslo está praticamente deserta e encontrar um local aberto para jantar às 21h00 é um desafio. O ritmo de vida da capital da Noruega rege-se pelo rigor nórdico: acorda-se cedo, janta-se cedo, dorme-se cedo. É domingo e são raros os carros que passam numa das principais avenidas da cidade, junto ao enorme edifício do Parlamento, do lado oposto à Ópera, um dos símbolos turísticos da cidade. A estranheza maior vem, contudo, com a claridade que ainda se sente às 21h00 na fase do ano em questão. É praticamente dia, embora já não se veja o sol. Já sabíamos que os dias são enormes no Verão, no Inverno as noites são longas, as cidades são limpas, tudo é caro e as pessoas são civilizadíssimas. Mas não estávamos preparados para uma claridade de final de dia em Portugal.

"O Inverno custa, é verdade, mas habituamo-nos a tudo. E as regalias que temos a trabalhar cá são tantas que acaba por compensar", conta Joana Fonseca, uma dos cerca de 3.700 portugueses que trabalham na Noruega. Joana trabalha num hotel, perto de Oslo. Veio há dois anos, atrás do namorado norueguês que conheceu quando estagiou em Itália. Apesar de referir as regalias, Joana não tem dúvidas: "Vivo bem porque dividimos a casa os dois e o salário dele é bastante mais elevado. Se dependesse apenas do meu ordenado não vivia melhor do que em Portugal. E, nesse caso, voltava para casa."

É difícil imaginar uma realidade em que o salário mínimo, de cerca de 4.000 euros, chega apenas para as despesas. Mas Oslo é uma das cidades mais caras do mundo, onde o Big Mac - seguindo a regra do índice que mede o custo de vida nas diferentes cidades em 2015 - custa 48 coroas, cerca de seis euros, o mais caro a seguir à Suiça, a comparar com os menos de três euros em Lisboa. A maior parte do salário vai para o Estado e a promessa dos partidos políticos, em ano de eleições, é não baixar impostos. E tudo é gratuito - da educação à saúde passando pela ajuda que o Estado dá, de cerca de 200 euros por mês, a quem não quiser ter os filhos nas creches públicas.

Os dois filhos de Sandra Costa nasceram na Noruega e a empresária ligada à restauração não imagina educá-los na realidade portuguesa. "As ajudas do Estado são enormes. Pagamos muitos impostos, mas o Estado retribui. Nem sequer temos de nos preocupar com o infantário", explica. Mas Sandra quer voltar, um dia, a Portugal. "Faz-nos falta aquela simpatia, o deixa andar." Essa característica tão portuguesa parece ser valorizada. O marido de Sandra, António, conta a história: "Trabalho numa empresa de engenharia e somos quatro portugueses. O meu chefe diz sempre que gostava de ter mais portugueses na equipa porque, se há algum imprevisto, nós conseguimos encontrar maneira de o resolver. É o ‘desenrascanço' português. Os noruegueses parece que bloqueiam... mas são óptimos a planear."

Fonte: Económico

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