João Carlos Cardoso, sócio-gerente do Escritório Digital

RE - O Escritório Digital não começou grande. Quer falar-nos um pouco da história da empresa?
JCC - Nasceu da vontade que sentia de ter uma empresa. Fui falando com os restantes sócios e, a dada altura, avançamos sem qualquer tipo de apoio financeiro e, por isso, apenas alavancados na nossa força de trabalho.

- Onde é que a empresa começou?
- Em São Bento num espaço que na altura adquirimos. De resto essa foi uma opção desde o principio, ou seja, nunca alugarmos mas comprarmos. Esse pequeno espaço em que começamos ainda hoje é nosso. Logo nessa altura expandimo-nos para São Miguel.

- Quando começaram em 2012 o que é que tinham para vender e quem eram os vossos clientes?
- O nosso principal cliente nessa altura era o Estado e para vender tínhamos mobiliário para escritório e fotocopiadoras.

- A partir daí vão à procura de novos clientes?
- Avançamos logo à conquista de novos clientes porque sabíamos bem que só o estado não seria suficiente para nos manter e, por isso, era necessário conquistar novas faixas de clientes em que se incluem as empresas privadas e o público em geral.

- Mas para a conquista de novos clientes necessitaram de alargar a oferta de produtos?
- Passamos a ter papelaria, computadores alargando progressivamente as áreas de negócio de forma a podermos estar em condições de fornecer tudo o que é necessário para um escritório.

- A venda de livros escolares foi uma forma de se darem a conhecer junto do público?
- Muito pouco. A venda de livros escolares não corres­pondeu às nossas expetativas. Por outro lado desde o momento em que abrimos já eramos conhecidos do público porque durante muitos anos trabalhamos noutra empresa do mesmo ramo.

- Isso quer dizer que os sócios desta empresa logo no arranque já dispunham de uma carteira de clientes.
- Tanto eu como os meus colegas já tínhamos nome feito no mercado e isso foi muito importante no inicio da vida da empresa.

- Nessa fase de crescimento surge a necessidade de avançarem ou ficarem ape­nas pelo que tinham?
- As coisas foram acontecendo por pequenos saltos em que nos eram colocadas várias questões entre elas a do crescimento. Para crescermos tínhamos necessidade de mais representadas. Para além das que procuramos muitas outras vieram bater-nos à porta com grandes marcas. Isso foi consequência do nosso trabalho, sócios e empregados.

- Como é que essas grandes marcas vos bateram á porta?
- Da mesma forma que nós sabemos quem são as empresas julgo que essas marcas sabiam o que era a nossa. Devem ter levado em conta o nosso bom trabalho para nos procurarem para as re­presentarmos.

- O facto de vos terem procurado não significou que tivessem ficado com todas...
- Tivemos de fazer uma seleção e recusar algumas. O espirito da nossa empresa não é só de vender mas, tão importante como vender, o de assistir após a venda. Há algumas marcas que apenas apostam na venda, querem é vender. Essas foram recusadas por nós.

- Esse crescimento que re­fere tronou-se incompatí­vel com o espaço físico em que trabalhavam e onde começaram?
-Tivemos de avançar para a construção deste espaço aqui na Atalaia. A determinada altura os nossos armazéns já eram contentores e isso era insustentável. Por isso decidimos construir de raiz. Para o efeito contamos com apoios europeus mas as coisas acabaram por não correr como desejávamos porque quando apresentámos a candidatura ainda não tínhamos adquirido a totalidade do terreno e quando o fizemos já não fomos a tempo de o incluir no projeto. Mesmo assim não parámos e expandimos o salão de exposições, os armazéns e, muito importante, o espaço das oficinas.

- Fale-nos da vossa ida para São Miguel
- Fez parte do projeto desde o início. Eu trabalhei em São Miguel nesta área, conhecia o mercado, e pude contar com a ajuda de colegas que tinham trabalhado numa outra empresa e decidiram acreditar na nossa ideia, Embora faturando menos que na Terceira é importante no contexto da nossa empresa e também, desde o início, tem vindo a crescer. Quando abrimos aqui, no mesmo dia, abriu em São Miguel.

- No vosso arranque contaram com o apoio da banca?
- Nem da banca nem de ninguém. Os bancos fecha­ram-nos as portas. Por isso hoje também fechamos as nossas a alguns bancos que nos batem à porta agora que temos um sucesso evidente. Posso dizer que, no arranque, contamos apenas connosco. Ninguém nos apoiou!

- Como é que a empresa está estruturada hoje?
- Estamos estruturados em departamentos, cada um deles com um responsável, que correspondem à diversidade de produtos e serviços que temos para oferecer aos nossos clientes. Posso dizer que hoje em dia temos tudo o que um escritório possa precisar, do papel às fotocopiadoras, da esferográfica aos computadores e ao software.

- Disse-me que, quando começaram, o vosso principal cliente era o Estado. Essa relação tem sido boa com o caminhar do tempo?
- Do ponto de vista dos pagamentos já foi muito má, já foi muito melhor e diria que agora está assim-assim. Mas, apesar de tudo, sabemos sempre que, mais tarde, ou mais cedo, acabamos por receber. A situação é bem pior no que diz respeito a alguns clientes privados que, nalguns casos, nunca nos chegam sequer a pagar.

- Como é que conseguem fazer face a essa realidade. É uma situação que deve provocar constrangimentos de tesouraria.
- Felizmente sempre tivemos um bom cash flow e. quando é necessário, a banca agora nunca nos nega apoio mas, de uma forma geral, temos uma boa tesouraria.

-Para além dessa dificuldade em receber que acaba de referir do ponto de vista da faturação tem sentido uma quebra em consequência da crise?
- Talvez venhamos a sentir este ano pela primeira vez, porque, felizmente, temos vindo sempre a aumentar a faturação. Este ano talvez venhamos a ter uma quebra nos 4 ou 5 por cento o que, no contexto da crise, não é dramático.

- Quantos funcionários tem a empresa?
- 26 no quadro e mais um ou outro colaborador em São Miguel e na Terceira.

-Os funcionários são importantes para a empresa?
- São muito importantes e desempenham múltiplas funções todas elas essenciais. Por exemplo os distribuidores são muitas vezes vendedores. Os trabalhadores são muito importantes.

- Que cuidados usam na contratação?
-A nossa seleção não foi muito difícil. A maior parte dos nossos funcionários vieram de escolas profissionais e vieram muito bem preparados. Foram muito bem formados. Depois de feita a seleção entram à experiência por seis meses e se demonstrarem qualidades entram para a empresa uma vez que a sua entrada para o estágio correspondeu a uma necessidade real da empresa.

- Vão alargar o leque de produtos e serviços que atualmente disponibilizam para os clientes? Têm projetos em carteira?
- Se não fosse esta crise já estaríamos mais longe porque este sempre foi um projeto ambicioso. Por isso se não estivéssemos a atravessar esta conjuntura difícil já teríamos aberto um novo espaço no continente. Já fomos convidados para o fazer. Mas tivemos de travar porque temos um investimento entre mãos.

- Que investimento é esse de que fala?
- Vamos abrir um novo espaço, ali junto á antiga Residencial Cruzeiro. Será um espaço que vai abranger a mesma área de negócio e será uma forma de estarmos mais perto dos clientes. Isso é muito importante para nós porque queremos dar a oportunidade ao cliente, se tiver necessidade, de poder comprar uma simples esferográfica. É importante que o cliente venha até nós só para comprar uma esferográfica porque, ao fazê-lo, estará a entrar no nosso espaço e a poder ver com os próprios olhos tudo o que temos para oferecer. Nesse sentido já adquirimos o edi­fício, as obras serão feitas e acabará por vir a ser uma importante mais-valia para o nosso negócio.