Arlindo Teles

Arlindo Teles

Economista, licenciado pela Universidade dos
Açores.
Começou a sua vida profissional na Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada e
Santa Maria.
Desde o ano 2000 que trabalha por conta própria tendo fundado a sua empresa de consultoria 
em 2002

- Como é que surgiu a ideia de construir esta empresa de consultoria?

- Acabou por ser uma influência directa daquilo que foram as experiências ainda na fase de estágio na Universidade. Estudei em São Miguel e, na altura, um dos estágios que fiz teve lugar na Câmara de Comércio de Ponta Delgada, onde fazia análise de candidaturas a projectos. Depois, quando cheguei à Terceira, apercebi-me de que havia um nicho próprio para este tipo de trabalhos e tive o gosto de começar, aos poucos, a intervir nesta área, ao princípio ainda a trabalhar por conta de outrem e, depois, no ano 2000, acabei por ficar definitivamente por minha conta. Em 2002 constitui a actual sociedade porque, entretanto, todo o processo tinha vindo a ganhar dimensão que justificou esse passo. Felizmente, com cada vez mais trabalho, tive de admitir colaboradores e cá estamos, hoje em dia, com a estrutura que temos. É uma área onde há muitas pessoas a trabalhar mas como empresa, exclusivamente a trabalhar neste segmento de actividade, não há muitas nos Açores. Na Região onde vivemos, ultraperiférica, que vive com muitos apoios públicos, fruto desta ideia de uma União Europeia mais igualitária entre estados e regiões, há lugar a uma empresa com estas características e objectivos. Sem esses apoios, e sem os seus impactos, na economia dos Açores, regrediríamos, talvez, uns 50 anos relativamente ao nosso actual nível de vida.

- Na sua catividade tem uma noção muito exacta da progressão que resultou do dinheiro que nos tem chegado da Europa. Os nossos empresários têm sabido acompanhar, aproveitando bem, todo esse fluxo de dinheiro?

- Em média diria que sim. É evidente que, neste tipo de coisas, não é possível definir um padrão que diga que todos se colocaram num novo patamar. Mas, repito, em média, diria que sim. Este fluxo financeiro de apoios veio abrir horizontes em vários domínios, aproximando o nosso meio empresarial do resto do mundo. Por isso, sim, em termos médios, houve uma evolução positiva.

- Hoje um grande número de analistas tece algumas críticas sobre a forma como esses dinheiros foram aproveitados, não no efeito indutor de mais-valias, mas virado para o consumo interno. A sua experiência diz-lhe que foi assim?

- Em parte, eventualmente, acabarei por concordar que alguma “facilidade” no acesso a esses dinheiros possa ter conduzido a que não se tenham procurado algumas vias mais estratégicas mas, no geral, não estou certo de que essa crítica possa aplicar-se a todos os casos. Do ponto de vista teórico faz sentido dizer que as nossas empresas devem internacionalizar-se e virarem-se para a exportação mas devemos, ao mesmo tempo, ser sensatos. Tirando a tecnologia de ponta, em que tanto faz que a empresa esteja na ilha Terceira ou em Timor, noutras áreas para as quais temos propensão natural, como é o caso da agricultura e das pescas, temos a concorrência directa dos mercados mais dinâmicos do mundo, como é o caso da França, da Espanha, e outros. Por isso não é assim tão fácil ser competitivo em certas áreas. A nossa distância e reduzida dimensão são, muitas vezes, um entrave ao desenvolvimento e, outras tantas, uma barreira de protecção. Esta realidade deve ser levada em conta quando procedemos a esta análise.

- Mas é aí que entram o empreendedorismo e a inovação...

- Não é fácil numa região pequena como a nossa pensarmos que, de um momento para outro, os empresários vão passar todos a ser inovadores. Repare que as contas devem ser feitas também pelo lado de um certo retrocesso á terra, no bom sentido, a fim de criarmos entre nós produtos que, actualmente, são importados e assim estar-se-ia a contribuir para o equilíbrio das contas entre importações e exportações. Nem tudo deve se feito apenas no sentido de potenciar exportações a todo o custo. Deve ser, igualmente, feito ume esforço no sentido de diminuirmos as importações. E com isto não estou a dizer nada de novo, apenas estou a recolocar o problema onde, quanto a mim, ele deve ser recolocado. Temos de evitar a ansiedade de estarmos sempre à procura do “ovo de Colombo” porque esse “ovo de Colombo” resulta da soma de vários factores. Mesmo poupando nas importações e estimulando a competitividade haverá sempre outros factores como por exemplo o custo dos transportes. Por tudo isto não estamos perante um processo fácil, nem do ponto de vista político, nem do ponto de vista técnico.

- A sua empresa trabalha nesta área de elaboração dos projectos de candidatura aos fundos europeus disponibilizados pela União Europeia e executados sob a tutela do Governo regional. Esta circulação com três vértices – Governo, União Europeia, Empresários – tem funcionado bem?

- Ao fim de 17 anos de trabalho na área dos incentivos já posso dizer que tenho uma grande experiência na matéria. Com isso posso dizer que da parte dos técnicos que avaliam os projectos tem havido uma grande evolução o que resulta, quanto a mim, da experiência acumulada e do recurso a novas tecnologias que, entretanto, foram ficando disponíveis, tornando os processos mais expeditos e céleres. Há uns anos, entre a fase de entrega da candidatura até à aprovação, decorria sempre mais de um ano. Hoje em dia já não é assim. Ainda há pouco tempo entregamos um projecto em Dezembro e em princípio de Fevereiro estava aprovado. Do ponto de vista dos prazos as coisas melhoraram muito.

- Quando o projecto é aprovado gera-se uma expectativa por parte do empresário que o candidatou. O que eu pergunto é se, uma vez aprovado o pr