Wo Wu Chang

Wo Wu Chang

Nasceu no sudeste da China.
Vive na terceira desde 2000 .
Proprietário das Marcas Chinaçor e Interzone.
Mantém negócios de Imobiliário na China.
Filho de comerciante sente-se mais português do que chinês.
Vive e trabalha há mais anos em Portugal do que aqueles em que viveu na sua terra natal.
Os filhos já nasceram na ilha Terceira e têm nomes portugueses 

 

- Como é que decidiu sair da China para a Europa?

- Saí da China, primeiro para Espanha, onde já tinha Família, decidindo, depois, vir para Portugal em conjunto com a minha família.

- Mas quando a sua família decidiu sair da China porque razão escolheu a Europa e não outro continente?

- Sobretudo, como disse, pelo facto de já termos família na Europa. Eu, por causa de um amigo meu, acabei por vir para Portugal.

- E os Açores como é que apareceram no seu caminho?

- Comecei por trabalhar em Lisboa e tive a oportunidade de conhecer pessoas dos Açores. Pessoas muito simpáticas que me levaram a conhecer, primeiro, a ilha de São Miguel, de que gosto muito. Vivi lá dois anos e, só depois, acabei por vir para a Terceira.

- E porquê a Terceira?

- Vim cá e percebi que, dentro do meu ramo, ainda não havia nenhum tipo de oferta em termos de lojas chinesas, por isso achei que estava perante uma boa oportunidade. Por outro lado gostei muito do ambiente de tranquilidade que se vive na ilha, com muito melhor qualidade de vida em elação aos outros sítios onde já tinha estado. Foras estes o conjunto de razões que me levaram a fixar-me na ilha Terceira.

- Sempre foi comerciante?

- Sim, já o meu pai era comerciante na área das roupas e dos brinquedos. Quando, em 1972. Deng Xiaoping abriu as portas, o meu pai, e muitos outros chineses, iniciaram a atividade de comerciante.

- Quando chegou à Terceira não começou logo pela Interzone...

- Não, comecei pela Chinaçor

- Nas lojas da Chinaçor só tem produtos chineses para vender?

- Não. Hoje em dia está tudo misturado. Temos produtos portugueses, espanhóis, de outras partes da Europa e de muitos países do Oriente.

- Como é que escolhe estes produtos?

- Já trouxe, muitas vezes, contentores diretamente da China aqui para a ilha Terceira. Por outro lado vamos a muitas feiras internacionais e acabamos por comprar a fornecedores que vão buscar esses produtos à China.

- Porque é que os produtos chineses são muito mais baratos do que outros similares que têm origem na Europa?

- Além da mão de obra barata há um outro aspeto  que é importante e que tem que ver com o facto de haver uma escala de grandeza muito grande ou seja, quando se produz na China, essa produção não se destina apenas à Europa, mas para todo o Mundo. Isto faz com que, naturalmente, os preços sejam mais baixos. A própria China acaba por funcionar como uma espécie de entreposto comercial para todo o Oriente. Da China para todo o mundo seguem produtos coreanos e de muitos outros países asiáticos.  A maior feira do mundo tem lugar em Cantão onde estão disponíveis produtos de todos os lugares e onde comparecem empresários, também, de todo o mundo, de americanos a europeus.

- O senhor vai buscar os seus produtos a essa feira ou tem lá alguém que trata disso por si?

- Às vezes vou a essa feira, mas muitas vezes compro diretamente ao pequeno fabricante.

- Para além dos preços baixos o sucesso do comércio chinês tem que ver com outros fatores como, por exemplo, o horário de funcionamento dos estabelecimentos...

- Sem dúvida que sim. É um trabalho duro que os imigrantes aqui têm de levar a cabo, como, de resto, acontece com os emigrantes portugueses que vão para outras partes do mundo.  Quando o imigrante chega aqui tem de trabalhar muito para conseguir ter sucesso e satisfazer todos os compromissos. Muitas despesas que, em conjunto, fazem com que o imigrante aqui tenha uma vida mais dura.

- Mas os vossos horários de abertura ao público são muito diferentes do que os que são praticados no chamado comércio tradicional.

- Sem dúvida que sim. Enquanto as outras lojas estão fechadas as nossas estão, quase sempre, abertas ao público. Por exemplo, aos fins-de-semana estamos sempre abertos e são muitos os nossos clientes que, mesmo aqui na Terceira, nos dizem que dá muito jeito estarmos disponíveis para as suas necessidades.  Por outra lado a nossa oferta é muita diversificada, abrangendo muitas áreas de consumo, o que acaba por servir, igualmente, as necessidades do público que nos procura.  Acabamos por ser, dentro do nosso ramo de atividade, um pouco como os hipermercados.

- Quando abriu a sua primeira loja aqui na Terceira foi bem recebido ou, pelo contrário, foi olhado com desconfiança?

- Ao principio é sempre mais complicado. Mas as pessoas foram comparando a relação preço/qualidade e, aos poucos, fomo-nos afirmando no mercado.

- Sentiu que os seus concorrentes, com as novas propostas que apresentou, ficaram aborrecidos consigo?

- Diretamente não. Por isso fico muito feliz por ter escolhido uma terra com pessoas tão simpáticas para viver com a minha família e trabalhar. Não tenho, nesse capítulo, nenhuma razão de queixa.

- A certa altura decidiu expandir o seu negócio e investir num segmento diferente do mercado. Refiro-me à Interzone, mais vocacionada para marcas e para um público com mais dinheiro. Numa altura de crise em que ninguém inve