Joseph gabriel Lopes e David lopes

Joseph gabriel Lopes e David lopes

Proprietários da empresa
"Rei dos Números" - Angra do Heroísmo


JMA – A vossa história começa, não aqui, mas na América. Como é que foi esse percurso?

Joseph Lopes – O meu pai, naquele tempo, foi para a América à procura de uma vida melhor e regressámos todos no dia 31 de Maio de 1982, eu com 12 anos e o meu irmão com 2. Em 1984 o meu pai decidiu comprar, em frente do outro lado da rua, um negócio. Como as condições, do outro aldo, não eram as melhores acabou por comprar este terreno onde construiu de raiz o local onde estamos hoje.

- Quando é que mudam de local?

- Talvez uns três anos depois de termos iniciado o negócio do outro lado.

- O Rei dos Números é o nome do vosso estabelecimento. Por alguma razão especial?

- Quando o meu pai montou o negócio fê-lo com o nome de Pastelaria Lopes. Quando eu, e o meu irmão, tomámos o lugar do meu pai constituímos uma sociedade e recorremos à Empresa na Hora e tínhamos de escolher um nome de entre os que estavam disponíveis e achámos este nome engraçado pelo que ficámos com ele.

- Quanto tempo esteve o seu pai à frente do negócio antes de vocês terem tomado o seu lugar?

- 23 anos, porque, como referi, ele montou o negócio em 1984 e nós assumimos o mesmo em 2007.

- O seu pai decidiu reformar-se?

- Não foi bem isso. Ele foi-nos entregando o negócio aos poucos para podermos orientar a nossa vida. Ele nunca está reformado porque está sempre em movimento.

. Quando decidiram assumir o negócio introduziram algumas alterações no seu funcionamento?

. Tivemos, desde logo, de introduzir as alterações impostas pelos tempos e que passaram pela informatização da loja consequência das obrigações fiscais. Para além disso começámos a abrir mais cedo, começámos a fazer promoções porque temos sempre a preocupação de comprar mais barato para vender mais barato.

- Tanto quanto sei estão abertos 366 dias por ano desde manhã cedo até muito tarde...

- Abrimos às 7 da manhã e fechamos à Meia-noite e se houver algum cliente que queira gastar mais qualquer coisa pois aguentamos até mais tarde.

- É um negócio com várias frentes. Desde a mercearia, passando pelo café, pela distribuição do gás e por um pequeno centro de convívio onde se joga domine e outros jogos. Qual destas valências é mais importante?

- É verdade as pessoas procuram-nos, também, por esse lado do convívio. Joga-se um dominó, umas cartinhas, um bilhar num local que as pessoas conhecem há muitos anos e onde se sentem bem.  Quanto ao negócio em si todas as valências são importantes mas a mais importante de todas é a parte do mercado porque é a que factura mais. O bar, face à crise, é uma coisa que as pessoas começam a dosear e, por consequência, a consumir menos. O gás é mais um complemento porque, já se sabe, tudo ajuda e hoje em dia toda a gente usa gás. Quando as pessoas, por exemplo, nos procuram para comprar uma garrafa de gás, porque a venda está aberta, compram normalmente mais alguma coisa. Por isso todas as secções do negócio se complementam e se entre ajudam.

- As grandes superfícies fazem muita concorrência?

- As grandes superfícies prejudicaram-nos muito e são, muitas vezes uma ilusão. Tenho clientes que, ás vezes me dizem que compram aqui o mesmo produto mais barato do que numa grande superfície. As pessoas, devagar, estão a abrir os olhos. E uma coisa que nos ajuda é o facto de darmos crédito. Não queremos dar mais crédito do que aqueles que temos e existe com clientes muito antigos, pessoas sérias, que nos pagam sempre no final de cada mês.

- Têm sentido o efeito da crise? As pessoas retraem-se e escolhem produtos mais baratos e consome menos?

- As pessoas estão a gastar menos em quantidade e também procuram os produtos mais baratos. Por exemplo nas épocas festivas como o Natal ou a Páscoa nós colocávamos os produtos mais cedo para as pessoas irem comprando e era isso que acontecia. Agora as pessoas guardam-se mesmo para a última hora a fim de comprarem só o essencial.

- As pessoas aqui da freguesia queixam-se das suas vidas?

- Não há-de ser só aqui na freguesia mas na freguesia também se queixam. Toda a gente se queixa e quando abrimos a televisão só se fala de crise o que também coloca as pessoas mal dispostas.

- Vocês acabam por não ter clientes só da freguesia.

- - Temos clientes da Ribeirinha que vêem tomar aqui o pequeno-almoço. Abrimos cedo e muitas pessoas que passam na estrada param para entrar e tomarem um café e vão à sua vida.

- Do ponto de vista pessoal este trabalho exige um grande empenho da vossa parte. São só os dois irmãos e contam também com a colaboração da vossa irmã...

- Sim, a minha irmã trabalha para nós e apenas da parte da manhã. Claro que não é fácil trabalhar todos os dias tantas horas, mas tem que ser porque as coisas não estão fáceis e o facto, por exemplo, de estarmos abertos aos feriados faz com esses dias sejam dos mais fortes do ponto de vista de negócio para nós.

- Pensam expandir o vosso negócio ou este é o modelo que quer manter no futuro?

- Há um ditado muito antigo que diz que quem muito abraça pouco aperta. Temos de explorar o máximo que temos. Não sabemos como será o futuro mas, para já, eu e o meu irmão temos de fazer bem o que estamos a fazer.

- Sentem que valeu a pena esta aposta?

- Sem dúvida. Tanto que se voltasse atrás faria tudo outra vez.

- Do que é que gosta mais neste seu trabalho?

- Quando chegámos em 1982 eu tinha 12 anos e fui trabalhar do lado de lá por conta do antigo proprietário e eu sempre gostei deste trabalho. O meu pai reparou nisso, porque naquela altura começava-se a trabalhar mais cedo, e incentivou-me. Eu sempre gostei deste trabalho porque nos permite conhecer pessoas, estabelecer laços de amizade, conversas sobre a vida, pequenas mas importantes coisas.