Félix Rocha, proprietário da Amor Perfeito-Comércio de Flores e Bombons

RegiãoEconómica (RE) - Como surgiu a “Amor Perfeito-Comércio de Flores e Bombons”?
Félix Rocha (FR) - Começou em 1992, através de uma sociedade, vendendo plantas de jardim e artigos de decoração. Decidimos avançar pelo facto de em Angra do Heroísmo não existirem muitas casas deste género. Investimos muito em plantas de jardim que mandávamos vir do Continente. 

Quatro anos depois eu e a minha esposa desenvolvemos sozinhos um projeto de instalação de uma exploração na Agualva, num antigo espaço de pas­tagem, onde começámos a produção de antúrios, lílios, arilhos e outras va­riedades de flor de corte. A partir daí conseguimos contratos com funerárias, venda de flores para casamentos e outros eventos, mas a maior faturação da firma foi sempre a aposta nas plantas de jardim que vendíamos para as câmaras municipais, obras públicas ou para a Base das Lajes.


RE -Como começou a exploração?
FR- Tínhamos dois funcionários, para além de mim e da minha esposa. Começámos com dois armazéns, instalámos cerca de 1200 metros quadrados de estufa coberta e, dois anos depois, acrescentamos mais 700 me­tros quadrados de forma a aumentar a produção. O nosso objetivo era, como vendíamos muitas plantas de jardim, criar um espaço agradável para os nossos clientes e, ainda hoje, temos gente que vem cá pelo local em si, mesmo que comprem pouco.

RE- Conseguiam escoar toda a produção das es­tufas? Faz ideia do volume de negócio que tinha com a Base?
Desde o início que tivemos uma boa relação com os americanos. Depois de termos aberto o espaço na Agualva, em 1997, o comando dos Estados Unidos abriu um concurso no valor de 6 ou 7 mil euros para a colocação de flores.
Posteriormente investi em mesas de enraizamento para produção de pequenas plantas sazonais e todo os anos, pela Primavera ou no Verão, o comando oferecia este tipo de plantas aos soldados que moravam dentro da Base e nós ganhámos muitas vezes o concurso para as fornecer o que correspondia a cerca de 10 mil euros.
Vendia também muito para as autarquias porque nos erámos a única empresa com capacidade de fornecimento. No auge do negócio chegámos a importar seis contentores de plantas num ano.


Desde essa altura, o negócio tem-se ressentido?
Sim, começou a existir mais concorrência, mais lojas deste sector a abrir, nós fomos das que aguentou mais tempo, tivemos o espaço em Angra do Heroísmo aberto durante 20 anos. Mantivemos os artigos de decoração mais por uma questão de tradição, como complemento das flores.


Foi por isso que decidiram encerrar a loja?
A maioria das pessoas, mesmo da zona de Angra, preferiam vir até à Agualva por terem mais poder de escolha e, além disso, o prédio onde estávamos tinha alguns problemas pelo que o encerramento foi uma decisão natural.


Como conseguiu dar a volta à perca do volume de negócios que mantinha com a Base?
Não foi só a Base mas todo o mercado local. Aumentámos a produção de determinadas espécies de plantas e de flores que vemos que o mercado tem maior apetência.


Quantas variedades produzem neste momento?
Temos cerca de 70 variedades diferentes.


Que análise faz do atual estado do negócio?
Está mais fraco mas conseguimos sobreviver fruto das medidas que referi anteriormente. As institui­ções públicas estão muito limitadas em termos de gastos, pelo que a mercado privado tem que ser a nossa aposta.


Falou em concorrência. Existem muitos produtores na Terceira?
Temos mais quatro ou cinco produtores. Cada um sobrevive à sua maneira, alguns só vendem aquilo que produzem, por exemplo proteas que entregam na Fruter ou antúrios que vão vendendo para firmas como quando precisamos de um maior volume.


É um mercado difícil?
Sim, o mercado da flor é complicado. Para exportação temos que ter grande qualidade e quantidade, para assumirmos um compromisso com uma empresa de fora é muito complicado e, além disso, com a atual política de transportes as flores chegavam ao Continente a um preço exorbitante. Depois, os clientes gostam sempre de inovar e temos algumas espécies que não conseguimos produzir por cá ou que os custos de produção não compensam, é mais lucrativo mandar vir de um fornecedor do Continente.
Vejo concorrentes que promovem a produção local mas depois vendem a preços mais elevados do que eu mandando vir.
Nós temos é que inovar, saber quais as espécies que se dão por cá e são mais lucrativas.


Está a falar de que espécies?
A flor está muito explorada, já não se sabe bem o que fazer, mas por exemplo as hortícolas, há quem produza mas depois não consegue escoar.


Vende para o resto do Arquipélago?
Sim mas é uma quantidade insignificante.


Planos para o futuro da empresa?
O futuro que se vê ai não é nada risonho, é manter e sobreviver.