Vitor Fernandes, sócio-gerente e fundador da Terauto

RE- Como surge a Terauto?
Vitor Fernandes - A Te­rauto surge em 1985 com a vontade de ter o meu próprio negócio, já tinha experiência no ramo e pretendia continuar na área automóvel. Começámos com viaturas usadas e com importação da Seat diretamente de Espanha, e depois com a Opel, em parceria com a empresa Diogo Meneses Ávila. Na altura éramos quatro sócios: Diogo Ávila, José Ernesto Ávila, João Vieira e eu, Victor Fernandes. Hoje somos dois sócios, eu e Rodrigo Ávila, filho de José Ernesto Ávila, numa equipa 78 pessoas.

- Serem nomeados concessionário oficial da Toyota na Terceira e Graciosa foi fundamental para a sustentabilidade empresa? Como decorreu esse processo?
VF - A relação com a Toyota já vinha de antes, eu já tinha trabalhado com a marca e tinha bons contactos com o importador. Na altura (em 1987) a Salvador Caetano consultou o mercado e várias empresas concorreram para ficar a representar a Toyota. Nós concorremos e ficamos com a marca. Deram-nos preferência em virtude da minha experiência e conhecimento da Toyota. Uma das exigências era que representássemos apenas a marca, pelo que deixámos a Opel e a Seat. A Toyota foi a alavanca principal da empresa - é uma marca conceituada, de confiança.

- São igualmente representantes da BMW, Ci­troen e Mini. Com este catálogo de marcas conseguiram atingir o vosso objetivo de ser líderes de vendas na região?
- Estas marcas vieram contribuir para a diversificação dos produtos que oferecemos e complementar outros nichos de mercado. Também ajudaram, portanto, à nossa liderança do mercado no grupo central dos Açores. A Citroën é uma marca inovadora, que tem vindo a crescer a ní­vel de oferta de produtos, e com a Terauto tem-se vindo a solidificar na Terceira, Faial e Pico. Com a ­
B­M­W­/MINI somos a única empresa da ilha a re­presentar oficialmente uma marca premium.

- A manutenção automó­vel e venda de peças é um complemento à comercialização de viaturas ou uma vertente fundamental do negócio?
- A manutenção automóvel e venda de peças são um complemento fundamental à comercialização de viaturas. Apoiam as viaturas vendidas e ajudam à venda de novas viaturas. Uma das nossas principais preocupações e apostas tem sido uma atividade Após-Venda organizada, com respeito por normas de gestão e ambientais e com qualidade de serviço.

- Terceira e Graciosa depois Pico e Faial. A expansão da Terauto foi fruto de uma estratégia de longo prazo, um aproveitar de oportunidades ou um investimento “de risco”?
- Temos a sede na Terceira, em Angra. As nossas atuais instalações, em São Bento, foram inauguradas em 1992, começámos num pequeno stand nas Avenidas. Na Graciosa não temos instalações próprias, temos um representante. O Faial e o Pico foram um grande desafio, que surgiu em 2009, com a compra da empresa concessionária da Toyota, que representava a marca para as ilhas Faial, Pico, Flores e Corvo. No Faial mantivemos as ins­talações existentes, com alguns melhoramentos. No Pico construímos instalações de raiz. Um investimento arrojado, inaugurado em 2012. Uma aposta no futuro, numa ilha sem oferta do género. Pretendíamos oferecer à po­pulação do Pico condições semelhantes às que oferecíamos na Terceira e no Faial. Nas Flores e Corvo temos um represen­tante. Temos ainda um ponto de venda em São Mateus e na Praia da Vitória (este também com Oficina e Peças). Esta expansão, que tem sido importante para o sucesso da Terauto, não deixa de ser um risco, tendo sido também resultado de oportunidades, mas a nossa estratégia é sempre ponderada e a longo prazo.

- Como está o está a indústria automóvel nos Açores e mais concretamente no Grupo Central?
- O setor automóvel no Grupo Central, como no resto dos Açores, é uma das áreas que mais sofreu com a crise económica nacional. Neste momento há sinais de recuperação, mas há muitas empresas no sector com graves dificuldades. Na Terauto valeu-nos a nossa forte aposta numa boa organização do setor Após-Venda, que ajudou a suportar os custos ine­rentes à nossa atividade.

- Quais as maiores dificuldades deste ramo? A oferta é excessiva em relação à procura?
- A maior dificuldade do setor são as viaturas usadas. Muitas empresas surgiram com a ideia de que seria um negócio fácil. No entanto é preciso grande rigor para gerir um parque automóvel em constante desvalorização, ter um grande sentido de empresa e saber estar no mercado. Muitas dessas empresas acabam por fechar, mas entretanto causam estragos às que estão organizadas. Toda a concorrência é saudável quando há respeito pelas regras do mercado.

- Julga haver por parte do poder político a sensibi­lidade de criar condições para a atividade empresarial na Região?
- Julgamos que têm sido criadas boas condições de apoio à atividade empresarial, para suporte às empresas existentes e para o desenvolvimento de novas empresas. É preciso saber tirar partido desses apoios, ser inovador e arriscar.

- Por onde passa o futuro da Terauto? Aumento do número de marcas representadas? Mais expansão?
- O futuro da Terauto passa por um sistemático rigor na administração; pela manutenção dos postos de trabalho; pela atualização e desenvolvimento dos nossos recursos materiais e humanos, pelo espírito de equipa, pela responsa­bilidade social e ambiental; pela qualidade da nossa oferta e pela satisfação dos nossos clientes, que são o nosso foco principal. No fundo por um melhoramento contínuo.

- Que conselho daria a alguém que pretenda enveredar pela atividade neste ramo?
- Diria que refletisse bem antes de arriscar porque neste momento há muitos empresários no setor dispostos a deixar a atividade. O setor automóvel sempre foi considerado pela banca como de alto risco e neste momento as dificuldades são grandes.